Na véspera do segundo turno, quatro levantamentos nacionais divulgados no sábado (24) apontaram a mesma direção: Flávio Bolsonaro (PL) com uma vantagem de um a dois pontos percentuais sobre Lula (PT) nos votos válidos, dentro da margem de erro de todas as pesquisas. Os institutos ouviram eleitores antes ou logo depois do debate da TV Globo, realizado na sexta-feira (23).

Os números de cada instituto

  • Quaest (encomendada pela Globo e por O Globo; 3.702 entrevistas em 23 e 24 de outubro; margem de 2 pontos): Flávio 51% e Lula 49% dos votos válidos. O instituto usa um modelo de eleitor com maior propensão a comparecer.
  • Datafolha (4.050 entrevistas em 23 e 24 de outubro; margem de 2 pontos): Flávio 51% e Lula 49% nos válidos. Nos votos totais, 48% a 47%, com 3% de brancos, nulos ou nenhum e 2% de indecisos.
  • BTG/Nexus (2.000 entrevistas em 23 e 24 de outubro; margem de 2 pontos): Flávio 50,5% e Lula 49,5% nos válidos. Considerando só os eleitores prováveis, com abstenção estimada em 21%, Flávio vai a 52,4% e Lula a 47,6%.
  • CNT/MDA (2.032 entrevistas presenciais entre 21 e 23 de outubro, portanto antes do debate; margem de 2,2 pontos): Flávio 50,7% e Lula 49,3%, contra 50,5% e 49,5% na rodada de 16 de outubro.

Em todos os casos a diferença cabe na margem de erro, o que os próprios institutos e a imprensa classificam como empate técnico.

O efeito do comparecimento

Pela primeira vez, o Datafolha divulgou também um recorte por propensão a votar, que leva em conta a distância até o local de votação e se o eleitor compareceu no primeiro turno. Entre os 76% com alta propensão, Flávio tem 52% e Lula 48%. Entre os 24% com propensão baixa ou média, a ordem se inverte: Lula 52% e Flávio 48%. Ou seja, o resultado de domingo depende, em parte, de quem de fato chegar à seção eleitoral.

Decisão de voto, rejeição e aprovação

  • Voto decidido: segundo o Datafolha, 95% dizem estar totalmente decididos; na Quaest, 92% afirmam que a escolha é definitiva (94% entre os eleitores de Lula, 92% entre os de Flávio); no CNT/MDA, 92,7%.
  • Rejeição: na Quaest, Flávio é rejeitado por 49% e Lula por 47%. A rejeição de ambos cai desde 28 de setembro, quando era de 56% (Flávio) e 54% (Lula). No Datafolha, os números são 45% para Flávio e 46% para Lula.
  • Aprovação do governo Lula: na Quaest, 48% aprovam e 45% desaprovam, a primeira vez desde 5 de agosto em que a aprovação supera a desaprovação.
  • Expectativa: 51% dos entrevistados pela Quaest apontam Flávio como favorito; 37% apontam Lula.
  • Debate da Globo: o Datafolha registrou empate, com 36% dizendo que Lula foi melhor e 36% que foi Flávio.

Perfil do eleitorado

O Datafolha mostra Flávio à frente entre homens (56% a 44%), evangélicos (70% a 30%) e moradores do Sul (65% a 35%) e do Sudeste (55% a 45%). Lula lidera entre mulheres (54% a 46%), jovens de 16 a 24 anos (54% a 46%), católicos (56% a 44%), eleitores com ensino fundamental (60% a 40%) e no Nordeste (67% a 33%).

O que as pesquisas não dizem

Pesquisa é retrato do momento, não previsão. Em disputas decididas por margens de um ou dois pontos, erros amostrais, abstenção diferenciada entre grupos e mudanças de última hora podem alterar o resultado. O primeiro turno, em 4 de outubro, terminou com Flávio em 47,03% dos votos válidos e Lula em 45,16%. A votação segue até as 17h (horário de Brasília), e a apuração é divulgada pelo TSE.

Análise

Esta seção é a leitura editorial do Tendência News, que adota uma linha liberal.

Um país dividido quase ao meio, com rejeição alta dos dois lados, é o cenário em que as instituições são mais exigidas: a Justiça Eleitoral, a apuração transparente e a aceitação do resultado pelo derrotado, seja quem for, valem mais do que qualquer promessa de campanha. A aprovação de governo em recuperação e a rejeição em queda dos dois candidatos mostram um eleitor menos refém da polarização do que o debate público sugere. O vencedor governará sem folga política e com contas públicas sob pressão; contenção de gastos e previsibilidade de regras serão a medida mais objetiva de seu compromisso com o país, independentemente do partido.