O último debate antes do segundo turno aconteceu na noite de sexta-feira (23), na TV Globo, com Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL). A pergunta que mais circula é quem ganhou. Não existe resposta objetiva, mas dá para mostrar o que dizem as principais análises e quais foram os momentos mais comentados. Este texto foi escrito logo depois do debate, antes de pesquisas feitas depois dele.
Como foi o formato
O debate teve mediação do jornalista César Tralli e quatro blocos: três com temas definidos e um livre. As perguntas eram sorteadas ao vivo. Nos primeiros blocos, cada rodada durava três minutos para pergunta, resposta, réplica e tréplica. No bloco livre, cada candidato tinha oito minutos. Foi transmitido pela TV Globo, GloboNews, g1 e Globoplay, segundo O Globo.
O que as análises concluíram
A Jovem Pan reuniu cinco comentaristas da própria emissora. Três deram a vitória a Flávio: André Marsiglia, Cristiano Beraldo e Roberto Motta. Para eles, Flávio manteve a calma e foi mais propositivo, enquanto Lula pareceu irritado, teve dificuldade com as regras e o tempo e concentrou-se em atacar. Fábio Piperno e Cristiano Vilela disseram que não houve vencedor. Piperno avaliou que Flávio foi bem no início e que Lula reagiu com força na troca de ofensas. Vilela viu Flávio um pouco melhor, mas ressaltou que o debate não convenceu o eleitor indeciso. Nenhum apontou Lula como vencedor.
A análise do Povo na Rua chegou à conclusão oposta: ambos melhoraram em relação ao debate da Band, mas Lula levou a melhor no saldo de pontos, porque pautou assuntos incômodos para o rival, como a relação de Flávio com Daniel Vorcaro. O texto também aponta fragilidades de Lula, como a voz considerada fraca em alguns momentos e o foco no passado em vez de propostas futuras. Segundo a análise, Flávio concordou com propostas associadas ao PT, como o aumento real do salário mínimo e a tarifa zero no transporte público.
Vale notar que as duas análises vêm de veículos com posicionamento próprio, e nenhuma se apoia em pesquisa de opinião ou audiência.
Os momentos mais comentados
- "Nove dedos": Flávio fez uma piada com a deficiência de Lula. Lula reagiu chamando-o de "miliciano" e pediu direito de resposta. Flávio se retratou depois, segundo o Povo na Rua.
- Vorcaro: Lula citou a relação de Flávio com o ex-banqueiro, tema investigado pela PF e pelo STF. Flávio nega irregularidades.
- Propostas de Flávio: segurança pública, endividamento das famílias, proteção das mulheres e isenção de pedágio para motociclistas.
- Ataques de Lula: o histórico e a confiabilidade de Flávio, incluindo problemas com a Justiça, segundo a Jovem Pan.
O que pode mudar o voto
A disputa chega ao fim empatada em muitas pesquisas. Na Quaest de 17 a 20 de outubro, Flávio aparecia entre 43% e 47% e Lula entre 42% e 46%, um empate técnico dentro da margem de erro de 2 pontos, segundo a BBC News Brasil. Debates raramente mudam muitos votos; o efeito costuma aparecer em pesquisas feitas depois e no comparecimento. O g1 informou que faria a checagem das declarações dos candidatos na página Fato ou Fake.
Análise: o debate como teste de ideias
Esta seção é a leitura editorial do Tendência News, que adota uma linha liberal.
Numa democracia liberal, o debate serve para o eleitor comparar propostas e cobrar respostas, não para eleger o melhor ator. Ataques pessoais, como a piada sobre a deficiência de Lula e a acusação de "miliciano", dizem pouco sobre como cada candidato vai tratar impostos, segurança, contas públicas ou liberdades. A melhor forma de decidir quem ganhou é conferir, ponto a ponto, quais promessas têm números, fonte de financiamento e respeito às regras institucionais, e deixar o veredito para o eleitor.