Os preços dos combustíveis no Brasil seguiram, em outubro, perto de R$ 6,50 a R$ 6,75 por litro para a gasolina e acima de R$ 7 para o diesel S-10, segundo levantamentos divulgados nas últimas semanas. Os números variam porque cada pesquisa usa método e período diferentes. A síntese semanal da ANP referente a 25 a 31 de outubro ainda não havia sido encontrada até a publicação desta matéria; segundo informação encontrada na pesquisa, a divulgação estava prevista para terça-feira (3), o que deve ser confirmado no site da agência.

O que mostram as pesquisas

  • Gasolina comum: R$ 6,541 por litro de média nacional em 417 cidades, na semana de 18 a 24 de outubro, segundo o site Combustíveis ANP, que reproduz dados da agência. Entre os estados, o menor preço médio foi no Rio Grande do Sul (R$ 6,291) e o maior no Acre (R$ 7,750).
  • ValeCard (transações de 1º a 26 de outubro, mais de 25 mil postos): gasolina a R$ 6,748, queda de 0,29% sobre setembro; etanol a R$ 4,361 (+0,52%); diesel S-10 a R$ 7,520 (+2,55%), com alta em 23 das 27 unidades da federação e cerca de 5% de aumento acumulado em dois meses.
  • Veloe/Fipe (da última semana de setembro à segunda de outubro): gasolina a R$ 6,65 (-0,14%), etanol a R$ 4,22 (-0,09%) e diesel S-10 a R$ 7,35 (-0,04%). No acumulado do ano, em relação ao fim de dezembro de 2025, o diesel subiu 19,1%, a gasolina 5,4% e o etanol caiu 7%.

As diferenças entre R$ 6,54, R$ 6,65 e R$ 6,75 para a gasolina refletem metodologias distintas: preço de bomba pesquisado pela ANP, preço médio de transações com cartão e índice com a Fipe.

Etanol compensa?

Pela regra prática dos 70%, o etanol vale a pena quando custa até 70% do preço da gasolina. Na pesquisa Veloe/Fipe, a relação nacional estava em 66,6%. A ValeCard apontou o etanol dentro desse limite em 21 estados, quatro a mais que em setembro. São Paulo tem o etanol mais barato nas duas pesquisas (R$ 3,96 na Veloe/Fipe e R$ 4,053 na ValeCard).

Por que os preços estão onde estão

A Veloe/Fipe atribui a relativa estabilidade de outubro ao alívio tributário federal sobre gasolina e etanol e à ampliação dos subsídios ao diesel, apesar do petróleo Brent em US$ 105,92 em 15 de outubro. Segundo artigo de opinião publicado no ConJur em 2 de novembro, o governo federal reduziu o PIS/Cofins da gasolina e zerou o do etanol hidratado em setembro (Decreto 13.116/2026) e o subsídio ao diesel chegou a R$ 2,12 por litro, prorrogado por 30 dias em 27 de outubro. O mesmo texto estima o pacote de setembro em R$ 7 bilhões por mês.

Há também pressão de impostos estaduais: de acordo com o ConJur, o ICMS monofásico da gasolina sobe de R$ 1,57 para R$ 1,64 por litro a partir de 1º de fevereiro de 2027, e o do diesel, de R$ 1,17 para R$ 1,30. O autor, advogado tributarista, é quem faz essas contas e críticas.

Outros combustíveis

O querosene de aviação, que não entra nas pesquisas de bomba, subiu 7,2% (R$ 0,45 por litro) em 1º de novembro; veja a matéria sobre o reajuste. O preço do botijão de gás na Bahia também está em debate (veja aqui).

Análise

O que o motorista vê na bomba é o resultado de duas forças: o preço do petróleo, que ninguém no Brasil controla, e a conta de tributos e subsídios, que o poder público controla. Bastiat ensinava a olhar o que não se vê: um subsídio de R$ 2,12 por litro de diesel baixa o preço na bomba, mas custa R$ 7 bilhões por mês ao pagador de impostos, que paga duas vezes, na bomba e na arrecadação.

Mises mostrou que controlar ou distorcer preços não elimina a escassez; apenas a esconde e a desloca. Subsídio e redução temporária de tributo, anunciados por medida provisória e prorrogados de 30 em 30 dias, criam também incerteza: ninguém sabe qual será o preço quando o prazo acabar. Já fiscalização e multas de até R$ 500 milhões contra aumentos que o governo considera injustificados tratam o sintoma, não a causa, e ameaçam a segurança jurídica de quem vende.

A solução coerente com a liberdade econômica é menos imposto sobre o combustível, federal e estadual, em caráter permanente e previsível, mais concorrência no refino e na importação e preços livres. Reduzir o tributo permanentemente é diferente de subsidiar: devolve ao cidadão dinheiro que já era dele. O aumento do ICMS previsto para 2027 vai em direção oposta, e vale a crítica a ele venha de qual governo vier.