O Ministério Público e a Polícia Civil de São Paulo prenderam nesta quinta-feira (5) três pessoas na segunda fase da Operação Laziosi, que investiga a venda de medicamentos oncológicos falsificados pela distribuidora Nacionalfarma, de Araraquara (SP). Segundo o Gaeco, a empresa continuou comercializando os remédios mesmo depois de ter a sede vasculhada em 2024. Os investigados não são condenados.
A segunda fase
A ação, conduzida pelo Gaeco de Ribeirão Preto e pela Polícia Civil, cumpriu 21 mandados de prisão e de busca em São Paulo, Araraquara, Matão, Marília, Agudos e Mirassol. Foram apreendidos dinheiro em espécie, celulares, equipamentos eletrônicos e dois veículos. A Justiça autorizou o bloqueio de até R$ 15 milhões em bens e a suspensão das atividades de sete empresas.
Os investigados apontados são Nalva Braz do Nascimento, responsável pelo controle da distribuidora, Petter Gabriel Cavalcante Chagas, ligado ao relacionamento com hospitais, e Sharlene Chaves Barbosa, na gestão financeira. Eles respondem por adulteração de medicamento, lavagem de dinheiro e organização criminosa. As defesas não foram localizadas pela reportagem do g1, e, segundo as autoridades, os três permaneceram em silêncio na prisão.
O que levantou a primeira fase
A primeira fase começou em 2024, após o laboratório fabricante denunciar que a distribuidora vendera medicamentos falsificados a um hospital de São Paulo. A análise do fabricante constatou ausência do princípio ativo, e a perícia oficial confirmou a falsificação. Entre janeiro e novembro de 2024, a distribuidora emitiu notas fiscais de saída do imunoterápico que somam mais de R$ 1,5 milhão, para destinatários de ao menos sete estados. Em novembro daquele ano, a Vigilância Sanitária interditou produtos, mas não interrompeu as atividades.
Vendas depois das buscas
Segundo o Ministério Público, em abril de 2025 a empresa seguia vendendo medicamentos sem princípio ativo a hospitais e trocando ampolas por lotes roubados. Foram comercializadas nove unidades de nivolumabe com falsificação constatada pela detentora do registro; uma chegou a ser administrada a um paciente. As outras oito foram recolhidas e trocadas por unidades de outro lote, de uma carga roubada em novembro de 2024, em Uberaba (MG).
A Vigilância Sanitária de Araraquara apontou que, em março deste ano, a empresa permanecia ativa e a responsável dificultava as fiscalizações; uma nova diligência no mês passado confirmou a operação. Agora, a Justiça determinou a suspensão total das atividades. "Constatamos a existência de outras vendas ocorridas desde então", disse o promotor Júlio Saraiva. A defesa da empresa não foi localizada pelo g1 até a última atualização.



