A Polícia Civil de São Paulo afirmou nesta quinta-feira (5) que Eric Conrado Alves de Almeida, de 41 anos, principal suspeito de matar a advogada Anna Gabriela e o filho dela, Raphael, de 6 anos, ficou 5 horas e 20 minutos no apartamento das vítimas e teria feito uma limpeza do local antes de sair. As informações foram dadas em coletiva com os delegados responsáveis pela investigação, em Cotia, na Grande São Paulo. Ele é suspeito, teve a prisão temporária decretada e não foi condenado.

O que a polícia diz que aconteceu

Segundo a delegada Mônica Gamboa, Eric chegou ao apartamento por volta das 21h40 de domingo (1º), acompanhado de Anna Gabriela e de Raphael. Ele deixou o imóvel sozinho às 2h15 de segunda-feira (2). As câmeras de segurança do condomínio registraram a entrada dos três e a saída apenas do suspeito.

"Ele ficou 5 horas e 20 dentro do apartamento. Nesse período, ele possivelmente praticou os crimes e fez a higienização do apartamento", afirmou a delegada.

De acordo com a polícia, ele lavou pratos, passou pano no chão e ajeitou a cama onde os corpos foram deixados. Os policiais também encontraram um incenso perto da porta. "A gente acredita que seja para disfarçar o cheiro dos cadáveres", disse Mônica Gamboa.

Corpos encontrados e causa das mortes

Os corpos foram achados por volta das 19h de terça-feira (3), depois que uma advogada, que veio do interior de São Paulo, avisou as autoridades. Segundo a investigação, eles estavam no apartamento havia cerca de 50 horas quando passaram por perícia. A polícia ainda não determinou o horário exato das mortes.

A causa preliminar apontada nos exames no Instituto Médico Legal (IML) de Cotia é asfixia. A delegada acompanhou as necropsias e informou que a polícia aguarda os laudos oficiais para detalhar as circunstâncias.

Como o suspeito foi preso

Eric foi localizado na noite de quarta-feira (4) numa casa no bairro do Jaguaré, na Zona Oeste da capital paulista. A polícia usou monitoramento e investigação telemática, e a localização foi descoberta após uma negociação e com a colaboração de familiares dele. O local foi descrito como uma casa simples, com uma edícula de difícil acesso.

A polícia também apura se a mãe do suspeito teve alguma participação. Até a coletiva, não havia confirmação de envolvimento, e a eventual participação ainda seria apurada formalmente.

A relação entre os dois e o que ele disse

A delegada afirmou que Eric e Anna Gabriela mantinham um relacionamento de cerca de três anos, com idas e vindas, e que haviam reatado no início de outubro. A polícia havia dito inicialmente que eram ex-namorados. Segundo a delegada, nas poucas palavras trocadas após a captura, ele se referiu a ela como "a mulher da vida dele". A delegada classificou a relação como passional.

Até o momento da coletiva, Eric não havia confirmado o crime nem sido interrogado formalmente; o interrogatório estava previsto para a tarde de quinta. Ele passou por audiência de custódia e exame de corpo de delito. Segundo a delegada, ele apenas avisou a própria advogada de que havia dois corpos num endereço e que seriam da namorada e do filho dela: "Ele não fala que ele matou, ele noticia para a advogada".

A reportagem não localizou, nas informações divulgadas até aqui, a manifestação da defesa do suspeito. O Tendência News atualiza o caso quando houver o interrogatório e os laudos oficiais.