O Mercado Bitcoin (MB), uma das corretoras de criptomoedas do Brasil, comunicou na manhã desta segunda-feira (2) um incidente de segurança e suspendeu temporariamente depósitos e saques. A empresa afirma que o caso foi contido rapidamente, que não houve prejuízo aos clientes nem vazamento de dados. O valor envolvido não foi confirmado pela corretora, mas empresas de monitoramento de blockchain apontam movimentações de cerca de US$ 40 milhões (aproximadamente R$ 217,7 milhões, segundo a Exame).

O que o Mercado Bitcoin diz

Segundo o comunicado, a companhia identificou e conteve o incidente em um de seus sistemas na madrugada de segunda-feira. Como "medida preventiva de proteção", depósitos e saques foram suspensos temporariamente. Em nota enviada à imprensa, o MB afirmou: "Não houve vazamento de dados dos clientes", e disse que o acesso ao aplicativo foi suspenso por precaução.

A empresa informou ainda que as equipes estão mobilizadas para investigar o ocorrido, rastrear os ativos e coordenar a resposta com autoridades e parceiros. Segundo a Exame, o MB também publicou na rede social X os endereços de carteiras ligadas ao incidente, para facilitar o acompanhamento por terceiros. Até a publicação desta matéria, os veículos consultados não relatavam prazo para a retomada dos serviços.

O que dizem os rastreadores

O MB não divulgou o montante. A Money Times e o Seu Dinheiro citam rastreadores independentes e não oficiais de movimentações on-chain, que apontam cerca de US$ 40 milhões retirados de endereços possivelmente ligados à corretora. A Exame atribui a estimativa de pelo menos US$ 40 milhões à Hypernative, empresa de segurança em blockchain. Trata-se de estimativa externa, não confirmada pelo MB.

Segundo a Exame, a Tether, emissora de stablecoins, bloqueou cerca de US$ 3,7 milhões em moedas ligadas aos endereços, o que impede novas transferências desses valores. Ainda não há informação divulgada sobre quem está por trás do ataque.

Atenção à diferença entre as versões

Há uma tensão entre o comunicado e o que se vê na cadeia de blocos: a empresa fala em ausência de prejuízo aos clientes, enquanto os rastreadores indicam saída de recursos de carteiras associadas à corretora. As duas coisas não são necessariamente incompatíveis, já que o prejuízo pode ter recaído sobre o caixa da própria empresa e não sobre os saldos de usuários, mas a corretora não detalhou de quais carteiras saíram os recursos nem como será a recomposição. É um ponto que segue em aberto.

O contexto: Binance e licença no Brasil

O incidente ocorre poucos dias depois do ataque à Binance, que, segundo a Money Times e o Seu Dinheiro, teve cerca de US$ 6,3 bilhões roubados em 29 de outubro, em um episódio que analistas atribuem à Coreia do Norte. A Exame informa que o FBI e empresas de rastreamento ligaram o caso a um grupo vinculado ao governo norte-coreano conhecido como TraderTraitor. A Binance retomou saques no domingo (1) e diz ter recuperado 95% do que perdeu, conforme o Seu Dinheiro. Não há, até agora, qualquer ligação divulgada entre os dois casos.

No Brasil, a Exame lembra que o MB pediu ao Banco Central autorização para atuar como prestadora de serviços de ativos virtuais (PSAV). Pela regra, só podem seguir operando as empresas que pediram autorização até 30 de outubro, e o BC analisará mais de 60 pedidos.

O que acompanhar

  • Se e quando depósitos, saques e o aplicativo voltam a funcionar.
  • Se o MB divulgará o valor oficial e a origem dos recursos movimentados.
  • A causa do ataque e a eventual identificação dos responsáveis.
  • Eventual manifestação do Banco Central e de autoridades.

Esta matéria será atualizada conforme houver novas informações.