O Ibovespa fechou a quarta-feira (4 de novembro de 2026) em alta de 1,23%, aos 167.563,47 pontos, e encerrou uma sequência de seis pregões de queda. O dólar à vista terminou em R$ 5,4511, em baixa de 0,64%. Os dados são da CNN Brasil, que informa que na véspera a moeda americana havia fechado em alta de 0,74%, a R$ 5,4863. A reportagem não traz máximas e mínimas do dia.
O que moveu o mercado
Eleições nos EUA. Segundo a CNN Brasil, a vitória do Partido Democrata nas eleições legislativas de meio de mandato americanas impulsionou as bolsas de Nova York: o Dow Jones subiu 3,03%, o S&P 500 avançou 1,58% e o Nasdaq Composite, 1,44%. Analistas citados pela reportagem relacionaram o resultado à baixa aprovação do governo Trump.
Itaú. O banco divulgou lucro recorrente de R$ 12,6 bilhões no terceiro trimestre, alta de 6,2% sobre um ano antes e em linha com as projeções, e as ações subiram cerca de 3%. Os detalhes estão em nossa matéria sobre o balanço. De acordo com o InfoMoney, o ROE anualizado foi de 23,6%, a carteira de crédito chegou a R$ 1,544 trilhão e a inadimplência acima de 90 dias ficou em 2,0%. O banco reiterou praticamente todo o guidance para 2026.
Vale e Petrobras. A Vale subiu mais de 3%, a R$ 62, com a alta do minério de ferro em Dalian. Já a Petrobras caiu mais de 7%, acompanhando o petróleo: o Brent recuou 8,66%, a US$ 94,62 o barril, o menor nível em cerca de dois meses, segundo a CNN Brasil.
Copom
O pregão foi fechado antes da decisão do Copom, anunciada ao fim do dia. O comitê manteve a Selic em 13,75% por unanimidade, contra a expectativa dividida: 39 de 75 casas esperavam corte de 0,25 ponto e 36, manutenção, no levantamento do Projeções Broadcast.
O que observar
O Relatório de Política Monetária, com projeção de inflação revisada, sai no fim de novembro, e a última reunião do Copom do ano é em 8 e 9 de dezembro, segundo o Sou Brasília. Este texto é informativo e não constitui recomendação de compra ou venda de ativos.
Análise
O pregão de quarta-feira mostra como o preço dos ativos brasileiros depende de fatores que o investidor comum não controla: uma eleição americana, a cotação do petróleo e a decisão de um comitê. Hayek via nos preços um sinal que condensa informação dispersa; quando o dólar cai 0,64% e a Petrobras perde mais de 7% no mesmo dia, o mercado está processando, em tempo real, notícias que nenhum planejador central conseguiria reunir.
A queda da Petrobras, de mais de 7% num dia, também lembra o risco de misturar governo e empresa: o valor de uma estatal oscila com o preço do barril e com as decisões de quem a controla. A propriedade privada, com gestão voltada ao acionista e sem interferência política, é o arranjo que melhor protege o poupador dessa dupla incerteza.
Já o balanço do Itaú, com lucro de R$ 12,6 bilhões e ROE de 23,6%, mostra o que um setor bancário competitivo consegue entregar, mas o custo do crédito de R$ 10,4 bilhões no trimestre e a Selic a 13,75% lembram o outro lado: a taxa de juros elevada é, em grande parte, o preço de um Estado que absorve poupança para financiar seu déficit. Bastiat diria que o que se vê é o lucro do banco; o que não se vê é o investimento produtivo que deixa de acontecer quando o crédito sai mais caro para o empreendedor.



