O piso do Bolsa Família subiu de R$ 600 para R$ 691 por família a partir da folha de outubro de 2026, e é esse valor que as famílias recebem nos pagamentos de novembro, de 16 a 18 do mês. O reajuste foi de 15,04%, equivalente à inflação medida pelo INPC entre março de 2023 e agosto de 2026.
O decreto do reajuste
Segundo a Agência Brasil, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou o Decreto nº 13.120 em 17 de setembro de 2026, publicado em edição extra do Diário Oficial da União. O decreto entra em vigor na data da publicação, com efeitos financeiros a partir de 1º de outubro. A reportagem do Jornal da Paraíba, de 19 de outubro, situa a publicação no sábado (17) de outubro, o que destoa da Agência Brasil; o Tendência News adota a data da agência, que cita a cerimônia no Palácio do Planalto.
O secretário-executivo do Ministério do Planejamento, Bruno Moretti, disse que a correção usou a inflação acumulada de 15,04% pelo INPC. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que a reposição evita perdas causadas pela inflação e busca impedir que as famílias mais vulneráveis enfrentem insegurança alimentar. Durigan projetou que o programa represente, em 2027, entre 1,2% e 1,25% do PIB, contra cerca de 1,5% na transição entre 2022 e 2023.
Os novos valores
De acordo com a Agência Brasil e o Jornal da Paraíba:
- Valor mínimo por família: de R$ 600 para R$ 691 (Benefício Complementar, pago quando a soma das parcelas fica abaixo desse piso).
- Valor médio: de R$ 675 para R$ 777.
- Renda de Cidadania: de R$ 142 para R$ 164 por integrante da família.
- Primeira Infância: de R$ 150 para R$ 173, por criança de zero a sete anos incompletos.
- Variável Familiar: de R$ 50 para R$ 58, para gestantes, nutrizes e crianças e adolescentes de 7 a 18 anos incompletos.
O valor final de cada família depende da composição familiar.
Quem recebe
Segundo a Serasa, o programa atende famílias em situação de pobreza ou extrema pobreza, com renda de até R$ 218 por pessoa por mês, inscritas no Cadastro Único, com prioridade para famílias com crianças, adolescentes, gestantes e nutrizes. O reajuste não altera as regras de entrada, segundo as reportagens consultadas. As reportagens lidas não trazem o número de famílias atendidas nem o custo total do reajuste, e as fontes secundárias que citam números divergem; por isso, o Tendência News não os informa.
Quando e como receber em novembro
O pagamento segue o último dígito do NIS: final 1 em 16 de novembro, final 2 em 17 e finais de 3 a 0 em 18, conforme detalhado na matéria sobre o calendário de novembro. O dinheiro pode ser movimentado pelo aplicativo Caixa Tem ou sacado em agências, caixas eletrônicos e lotéricas. Dúvidas: Disque Social 121 e Caixa 111.
Análise
Reajustar um benefício pela inflação acumulada parece justo à primeira vista, e é: quem perdeu poder de compra para a alta de preços foi o beneficiário. O que a conta não mostra é de onde veio a inflação. Para Mises e para a teoria austríaca, a alta geral de preços é efeito da expansão da moeda e do crédito e do gasto público financiado por dívida; o aumento de 15,04% em pouco mais de três anos é o retrato dessa perda, que atinge sobretudo os mais pobres. Atacar a causa, com gasto contido e moeda estável, protege o pobre mais do que repor depois o que foi corroído.
O segundo ponto é fiscal. O governo projeta o programa em 1,2% a 1,25% do PIB em 2027. Não é pouco, e o reajuste automático indexa a despesa ao passado. Pelo princípio da não agressão, todo real transferido sai de alguém por meio de tributo; por isso, o gasto exige transparência sobre custo, número de famílias e resultados, e as reportagens consultadas não trouxeram nenhum desses dados.
Por fim, Hayek advertia que programas desenhados no centro não conhecem a situação concreta de cada família. Um benefício com porta de saída clara, que estimule o emprego formal e a autonomia, serve melhor à responsabilidade individual e à família do que a dependência permanente. A mesma exigência vale para qualquer governo, de qualquer partido.



