Aeronaves militares dos Estados Unidos no Brasil viraram assunto nas buscas. Há dois casos distintos: um pouso no Rio, que já cobrimos, e um boato já desmentido, tema desta reportagem.
Outro caso: C-130T no Galeão
Como mostramos em reportagem anterior, segundo o DCI, um cargueiro Lockheed C-130T Hércules da Marinha dos EUA pousou no Aeroporto Internacional do Galeão, no Rio, na terça-feira (27), às 19h07. O voo partiu de Jacksonville, na Flórida, na segunda (26), com escalas em Porto Rico e Barbados. Veículos especializados haviam levantado a hipótese de que o destino seria Florianópolis, onde ocorre o Exercício Operacional Carranca 2026, de busca e salvamento, entre 25 de outubro e 14 de novembro. Os registros de voo, porém, apontaram o Galeão, e não há confirmação de que o pouso esteja ligado ao exercício. Segundo o DCI, a missão do voo não foi divulgada oficialmente e não há declarações de autoridades dos dois países sobre o caso.
O boato do HC-130J
Em 3 de outubro, o empresário Pablo Marçal publicou no Instagram um vídeo sugerindo que um avião militar americano HC-130J poderia levar o presidente Lula aos EUA, associando a aeronave a um "golpe". O Projeto Comprova classificou a alegação como falsa. O vídeo usava imagens de setembro e um trecho de reportagem da CNN Brasil que não tratava de ação contra Lula, e passou de 12 milhões de visualizações até 4 de outubro. A FAB informou ao Comprova que a aeronave participou do Exercício Conjunto Tápio 2026 (14 de agosto a 24 de setembro, em Mato Grosso do Sul) e voltou aos EUA em 24 de setembro, nove dias antes da postagem. A reportagem não traz a posição de Marçal; o espaço segue aberto.
O que ainda não está claro
Não se sabe a missão do C-130T no Galeão. Até aqui, nada nas fontes lidas indica operação fora de exercícios e cooperação militar já previstos.
Análise
Esta seção é a leitura editorial do Tendência News, que adota uma linha liberal.
A transparência do Estado sobre a presença de forças estrangeiras, ainda que em cooperação rotineira, reduz o espaço para boatos como o do HC-130J: quando o poder público não explica um pouso, o vazio é preenchido por especulação. Cabe à FAB e ao Itamaraty informar a finalidade do voo no Galeão. Ao mesmo tempo, quem divulga acusações graves a milhões de pessoas deve checar antes os fatos, que eram verificáveis.



