O Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar) confirmou, em coletiva de imprensa na noite de terça-feira (3), que um tornado de categoria F2 na Escala Fujita atingiu Maringá, no Norte do Paraná, na madrugada de segunda-feira (2). A classificação é preliminar, segundo as reportagens locais. A prefeitura também confirmou a passagem do fenômeno e decretou calamidade pública.
O que o Simepar informou
Na Escala Fujita, tornados F2 têm ventos estimados entre 180 km/h e 253 km/h. A faixa é uma estimativa feita a partir dos danos e das imagens de radar, e não uma medição direta. Alguns veículos publicaram "até 253 km/h" (o limite superior da categoria), outros "quase 200 km/h" e outros ainda "entre 180 e 250 km/h". Por isso, o número exato de vento dentro do tornado não é conhecido.
As estações meteorológicas registraram valores bem menores, porque medem pontos fixos e não o núcleo do fenômeno. A estação do Simepar em Maringá marcou rajada de 81 km/h às 3h30, o Inmet registrou 96,8 km/h no mesmo horário e o aeroporto da cidade teve 96,3 km/h às 3h11, 3h14 e 3h17, segundo o Simepar. A chuva acumulada chegou a 63,6 mm até as 11h de segunda.
Antes da confirmação, o Simepar já apontava que a cidade registrou uma supercélula, tipo de tempestade muito organizada, capaz de gerar ventos destrutivos em linha reta ou com giro. O meteorologista Piter Scheuer chegou a apontar como principal hipótese um downburst (vento descendente) com rajadas pontuais de até 150 km/h, em publicação do dia 2, antes da vistoria técnica do Simepar. A confirmação posterior do tornado F2 prevalece sobre essa avaliação inicial.
Estragos
Os danos mais severos foram no bairro Parque das Indústrias, onde barracões de fábricas perderam telhados e estruturas metálicas. Segundo a RPC, uma empresa de peças agrícolas com mais de 150 funcionários foi atingida, assim como uma fabricante de placas solares. A cobertura do quartel do Corpo de Bombeiros também caiu.
Os números da prefeitura mudaram ao longo do dia:
- Na terça-feira (3), a prefeitura contabilizava 363 quedas de árvores, 36 imóveis, seis veículos e sete postes danificados; cerca de 600 pessoas buscaram lonas para cobrir casas.
- Em balanço apresentado na coletiva da noite de terça, a Defesa Civil falou em 862 quedas de árvores, das quais 450 já haviam sido removidas, e cerca de 930 servidores atuando na recuperação, além de voluntários e bombeiros.
A diferença entre os 363 e os 862 registros vem de balanços feitos em horários diferentes, e o número tende a seguir mudando. Até a publicação das reportagens consultadas, não havia informação oficial de mortes. A Defesa Civil de Maringá ainda não havia divulgado balanço completo de feridos, desalojados e desabrigados.
Energia elétrica
A Copel informou que cerca de 82,2 mil imóveis ficaram sem luz no pico, na manhã de segunda. Na manhã de terça havia 50,5 mil sem energia na cidade, e no fim da tarde mais de 48 mil. Pelo balanço da prefeitura, dos cerca de 86 mil domicílios sem luz no início, em torno de 44 mil estavam normalizados e 42 mil aguardavam, com previsão de conclusão do serviço até sexta-feira (6). A Copel mobilizou centenas de profissionais; os números de equipes divulgados variam entre 600 e 900 em campo em Maringá, conforme a data e o veículo. No estado todo, a companhia contabilizava 67,7 mil unidades sem energia na terça de manhã.
Calamidade e ajuda
O prefeito Silvio Barros (PP) decretou calamidade pública na segunda, medida que agiliza contratações e liberação de recursos emergenciais. A prefeitura preparou um abrigo temporário na Vila Olímpica, com capacidade para até 75 pessoas, camas, banheiros e alimentação. Quem perdeu condições de ficar em casa pode ligar para (44) 98418-0579. Voluntários e doadores de equipamentos podem se cadastrar no programa Pra Somar, da prefeitura. O governador Ratinho Júnior informou que equipes estaduais ajudam na remoção de árvores.
E agora?
O Simepar alerta que a semana segue instável no Paraná, com novo alerta de tempestades e a formação de um ciclone extratropical. Veja a previsão em nossa matéria sobre o alerta vermelho no estado.
Serviço
- Energia: problemas e quedas de postes podem ser comunicados à Copel pelo 0800 51 00 116 ou pelo WhatsApp (41) 3013-8973.
- Emergências: Defesa Civil 199 e Bombeiros 193.
- Não se aproxime de fios caídos e de postes danificados; evite circular sob árvores machucadas ou estruturas instáveis.
- Para receber alertas da Defesa Civil por SMS, envie o CEP para 40199.



