Uma mulher foi filmada fazendo a saudação nazista na saída do Colégio Santo Inácio, em Botafogo, na Zona Sul do Rio de Janeiro, no domingo (25), dia do segundo turno das eleições presidenciais. O caso foi registrado na 10ª Delegacia de Polícia (Botafogo) como injúria por preconceito, e a Polícia Civil informou que "diligências estão em andamento para apurar os fatos". A mulher não foi identificada publicamente, e o Tendência News não divulga dados que permitam reconhecê-la.
O que mostram as imagens
Segundo O Globo e a CartaCapital, o vídeo mostra a mulher com o braço direito estendido e a palma voltada para baixo, gesto historicamente ligado ao regime de Adolf Hitler. Ela vestia camisa verde e amarela com a frase "Meu Partido É o Brasil" e boné vermelho com o lema "Make America Great Again". As duas peças são usadas por apoiadores do bolsonarismo e do presidente americano Donald Trump, mas isso não permite afirmar em quem a mulher votou.
Pessoas que estavam no local a questionaram, e há gritos de "isso é crime". Ao ser filmada, ela perguntou ao autor da gravação se ele era "comunista". Ele respondeu que era judeu, e a mulher teria dito "pior ainda". Esse último trecho consta do relato recebido pela Federação Israelita do Estado do Rio de Janeiro (Fierj). A CartaCapital registra ainda que o vídeo mostra dois policiais militares no local que não intervieram.
Reações
A Fierj divulgou nota de "mais veemente repúdio ao episódio de antissemitismo" e disse que acompanhará as investigações, cobrando a identificação dos responsáveis. A StandWithUs Brasil também se manifestou e lembrou que a apologia ao nazismo é crime, com base na Lei nº 7.716/1989. O deputado federal eleito Rick Azevedo (PSOL) acionou o Ministério Público do Rio pedindo a apuração: "Não há espaço para nazismo, racismo ou qualquer forma de discriminação em uma democracia".
O que diz a lei
A Lei nº 7.716/1989 prevê pena de reclusão de dois a cinco anos e multa para quem fabricar, distribuir ou veicular símbolos e emblemas nazistas com a finalidade de propagar essa ideologia. Cabe à polícia e ao Ministério Público avaliar se o gesto filmado se enquadra nessa conduta ou no crime de injúria por preconceito. Nenhuma das fontes registra manifestação da mulher ou de sua defesa, e ela não foi denunciada nem condenada.
Outro episódio na mesma eleição
A CartaCapital relaciona o caso a uma fotografia feita em Grajaú, no Maranhão, durante uma carreata de apoio a Flávio Bolsonaro (PL) na noite de sábado (24), em que jovens aparecem com camisetas com referências ao nazismo e ao fascismo. Os episódios são independentes e estão sob apuração própria.
Análise
Esta seção é a leitura editorial do Tendência News, que adota uma linha liberal.
A liberdade de expressão é um pilar de qualquer democracia, mas o gesto filmado em Botafogo mistura outra coisa: a exaltação de um regime responsável pelo assassinato de milhões e a ofensa dirigida a uma pessoa por ela ser judia. Esse tipo de conduta tem previsão legal expressa, e o caminho correto é o devido processo: identificação, investigação e, se houver provas, julgamento com direito de defesa.
Duas cautelas importam. Primeiro, as roupas da mulher não a tornam representante de nenhum candidato ou partido, e candidatos não devem responder por atos individuais que não incentivaram. Segundo, o mesmo rigor vale para qualquer lado do espectro: símbolos de ódio, de qualquer origem, devem ter a mesma resposta da lei. Ver policiais presentes sem agir, como mostra o vídeo, é um ponto que merece explicação da corporação.