O Flamengo foi eliminado nos pênaltis pelo Estudiantes na semifinal da Copa Libertadores de 2026, depois de dois empates sem gols. Em vez de encerrar o assunto, o clube carioca apresentou uma reclamação formal à Conmebol questionando a regularidade da inscrição do zagueiro Marcos Rojo, que atuou pelo time argentino no jogo de volta, no Maracanã. O pedido é que o Estudiantes seja punido com a derrota por 3 a 0, o que, na prática, abriria a vaga na final para o Flamengo.

Como começou a controvérsia

Segundo o Terra, o Estudiantes contratou Rojo depois do fechamento da janela de transferências e tentou inscrevê-lo na vaga de Gabriel Neves, que havia fraturado o punho. A Associação do Futebol Argentino (AFA) autorizou o registro nacional, mas a Conmebol, depois de consultar a Fifa, rejeitou a inscrição em duas oportunidades. O Estudiantes recorreu à Corte Arbitral do Esporte (CAS), que concedeu uma medida cautelar determinando a admissão do jogador na lista de boa-fé.

O que diz o Flamengo e o que dizem os argentinos

O Flamengo fundamenta o pedido no Código Disciplinar da Conmebol, que prevê derrota por 3 a 0 para a equipe que escala um jogador irregular. As fontes divergem sobre o artigo citado: o Terra menciona o artigo 24.1, enquanto o Lance fala no artigo 19. O clube também pediu rapidez na análise, já que a final está marcada para 28 de novembro, no Estádio Centenário, em Montevidéu, contra o Palmeiras.

O Estudiantes sustenta sua posição na autorização da AFA e na decisão cautelar do CAS. O advogado André Feher, especialista em Direito Esportivo, explicou ao Terra que a decisão do CAS é provisória: ela permitiu que Rojo jogasse enquanto o mérito não é julgado, mas não declarou que a inscrição era válida. Para ele, o conteúdo exato da liminar será determinante, e a Conmebol não pode simplesmente desconsiderá-la. Se o julgamento definitivo reconhecer a regularidade da inscrição, a tendência é que a classificação argentina seja mantida; se concluir que Rojo atuou em desacordo com as regras, pode surgir espaço para punição esportiva.

Os precedentes que o Flamengo cita

O caso mais direto é o do Santos em 2018. Nas oitavas de final da Libertadores, o Santos empatou por 0 a 0 com o Independiente na Argentina. No dia seguinte, o clube argentino reclamou da escalação do meia uruguaio Carlos Sánchez, que tinha uma suspensão pendente de uma partida em torneios da Conmebol, herdada de uma expulsão em 2015, quando atuava pelo River Plate. Em 28 de agosto de 2018, a Conmebol acolheu a reclamação e transformou o empate em derrota por 3 a 0. O Santos não conseguiu reverter no jogo de volta, novo 0 a 0 no Pacaembu, e foi eliminado.

Outros exemplos listados pela imprensa:

  • Deportes Temuco (2018, Sul-Americana): o San Lorenzo reclamou da escalação de Jonathan Requena, que constava na súmula de outro clube na mesma competição. A Conmebol atribuiu ao San Lorenzo a vitória por 3 a 0 no jogo de ida, e a punição foi mantida após recurso.
  • Barcelona de Guayaquil (2019, Libertadores): o clube escalou Sebastián Pérez sem que o certificado internacional de transferência tivesse sido emitido a tempo. A Conmebol deu ao Defensor Sporting a vitória por 3 a 0, e o Barcelona foi eliminado.
  • River Plate (2018): não foi punido porque não houve reclamação dentro do prazo regulamentar.

O Lance ressalta uma diferença importante: nos casos do Santos, do Temuco e do Barcelona, os atletas estavam impedidos por regra da própria Conmebol. Aqui, Rojo entrou em campo com autorização provisória do CAS, o que é uma particularidade que os precedentes não tinham.

O que ainda não se sabe

Até a data das reportagens consultadas, a Conmebol não havia divulgado decisão sobre a reclamação. A decisão definitiva sobre eventuais consequências esportivas cabe às instâncias competentes, e a análise pode envolver o conteúdo da cautelar do CAS. Até lá, o Palmeiras segue como finalista confirmado e a vaga rubro-negra depende de um julgamento que ainda não aconteceu.