O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) disse que não reconhece a vitória de Lula no segundo turno de domingo (25) "até que tudo seja esclarecido", unindo-se a Flávio Bolsonaro (PL) na contestação do resultado. O alvo das críticas é o ministro do STF Cristiano Zanin, que prorrogou o horário de votação. Segundo as fontes, ministros do STF e do TSE já descartaram anular a eleição.
O que Nikolas disse
De acordo com o site TV Foco (Uai), Nikolas afirmou: "É impossível reconhecer essas eleições até que tudo seja esclarecido". Ele criticou a decisão de Zanin de estender a votação até as 19h, acusou o ministro de favorecer Lula e classificou a medida como inédita. Disse também que o resultado contrariou pesquisas e indicadores históricos, como a associação entre vencer em Minas Gerais e vencer a eleição nacional.
No X, escreveu que "ou a gente ganha" e falou em "mais um impeachment pra ano que vem". Cerca de 20 minutos depois, o deputado Lucas Pavanato (PL-SP) publicou que "nessa eleição não aceitamos perder" e disse ter pedido o impeachment de Zanin. O texto não esclarece a que impeachment Nikolas se referia.
A prorrogação e o resultado
Segundo a Gazeta do Povo, Zanin atendeu a um pedido da coligação de Lula, que apontou problemas de transporte público em nove estados, e a prorrogação, de duas horas, valeu para todo o país. A campanha de Flávio também pediu prorrogação, mas ao TSE, para municípios de São Paulo, Paraná e Santa Catarina; o pedido foi encaminhado ao presidente do tribunal, Kassio Nunes Marques.
Com 100% das urnas apuradas, Lula teve 51,79% dos votos válidos (64.256.232) e Flávio, 48,21% (59.826.041). Lula foi declarado reeleito às 21h08.
Flávio Bolsonaro disse na noite de domingo que não reconhece o resultado e vai pedir a anulação, afirmando que a decisão de Zanin "mudou a regra do jogo no meio do jogo". Ele também alegou que fiscais do PL foram retirados da sala-cofre; a Gazeta do Povo observa que as acusações não foram comprovadas.
O outro lado
As reportagens consultadas não trazem resposta de Zanin às críticas. Segundo a TV Foco, ministros do STF e do TSE descartaram anular o segundo turno e reconheceram a vitória de Lula. O governo e o PT não aparecem com manifestação sobre a contestação nesses textos; Lula, em seu discurso de vitória, celebrou a "derrota da mentira", conforme a Gazeta do Povo.
O que vem a seguir
O caminho formal anunciado é o pedido de anulação à Justiça Eleitoral e o pedido de impeachment de Zanin no Senado, que precisaria ser analisado pelo Congresso. Até agora não há comprovação de fraude apresentada nos textos consultados.
Análise
Esta seção é a leitura editorial do Tendência News, que adota uma linha liberal.
Contestar um resultado pelas vias legais é direito de qualquer candidato e faz parte do Estado de Direito. A prorrogação decidida por um único ministro, com efeito nacional a partir de pedido de uma das campanhas, merece escrutínio: critérios claros, igualdade de tratamento entre as coligações e transparência sobre a decisão são condições de confiança em qualquer eleição. Ao mesmo tempo, sem provas de fraude, a recusa em reconhecer o resultado e a ameaça de impeachment de ministro por decisão judicial enfraquecem as instituições que protegem todos, inclusive a oposição. O mesmo padrão vale para o campo oposto quando está no lugar de perdedor: reclamações devem ir à Justiça, com provas, e não às ruas ou às redes.