O jornal americano The New York Times publicou neste domingo (25), dia do segundo turno, um editorial de opinião no qual afirma que os Estados Unidos têm um "histórico problemático" de interferência em eleições estrangeiras e que o presidente Donald Trump estaria levando o país de volta a um passado "intrometido e contraproducente". As informações são do Estadão, que cita o editorial sem reproduzir o texto na íntegra; a posição é do jornal americano, não uma conclusão do Tendência News.
O que o editorial diz
Segundo o Estadão, o NYT avalia que Washington havia se tornado mais respeitoso com outras democracias e evitado, em geral, intervir nas campanhas, mas que Trump estaria revertendo essa tendência, e cita a eleição brasileira como exemplo. Na América Latina, diz o texto, os ventos políticos favorecem partidos de direita mesmo em países com pouca intromissão de Trump. Ainda assim, o envolvimento do presidente americano na região "tem sido significativo", já que os EUA têm poder econômico para afetar as economias locais, e o governo teria buscado "explicitamente recompensar aliados e punir opositores políticos" na Argentina, no Brasil e na Colômbia.
O contexto
A disputa de hoje é entre Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), com os últimos Datafolha e Quaest em 51% a 49% dos votos válidos para o senador, dentro da margem de erro. O Estadão não informa, nessa nota, a resposta da Casa Branca ao editorial. Reportagens anteriores de outros veículos indicam que Lula já acusou Washington de tentar influenciar o voto por meio de tarifas, o que o governo americano nega; essa informação não foi verificada em fontes primárias aqui.
Análise
Esta seção é a leitura editorial do Tendência News, que adota uma linha liberal.
A decisão de quem governa o Brasil cabe exclusivamente aos eleitores brasileiros, e qualquer pressão de governo estrangeiro, de qualquer lado do espectro, afronta a soberania popular. O mesmo vale para o apoio ou a rejeição de potências à esquerda. O princípio liberal é simples: instituições fortes, regras eleitorais claras e a Justiça Eleitoral decidindo disputas, sem tutela externa nem de aliados nem de adversários.