As bolsas asiáticas fecharam em forte queda nesta sexta-feira (6), puxadas por uma onda de vendas de ações de tecnologia que começou em Wall Street na quinta-feira (5). Segundo a InfoMoney e o jornal O Anhanguera, o Nikkei 225, do Japão, recuou 5,96%, a 57.434 pontos, e o Kospi, da Coreia do Sul, caiu 6,02%, a 5.059 pontos.

O que aconteceu na Ásia

  • Nikkei (Japão): -5,96%, aos 57.434 pontos.
  • Kospi (Coreia do Sul): -6,02%, aos 5.059 pontos. Durante o pregão chegou a cair 8,8%, o que acionou o mecanismo de interrupção automática e suspendeu as negociações por 20 minutos.
  • Outras praças: Shanghai -1,10%, Hang Seng -1,27%, ASX 200 (Austrália) -0,49%; o Nifty 50, da Índia, subiu 1,11%.
  • Europa: STOXX 600 -1,39%, DAX -1,48%, FTSE 100 -1,53%, CAC 40 -1,31%.

Por que as bolsas caíram

O ponto de partida foi Wall Street. Na quinta, o Nasdaq caiu 5,5%, o S&P 500 4,4% e o Dow Jones 3,4%. Segundo O Anhanguera, investidores duvidam que as empresas de tecnologia consigam transformar os bilionários investimentos em inteligência artificial em lucros, e pesam os custos de data centers e o temor de que a vitória dos democratas nas eleições de meio de mandato leve a mais regras ambientais e restrições à expansão dessas estruturas. Essa última razão é a leitura do veículo; as demais reportagens consultadas não a confirmam.

O payroll entra na conta

Com os mercados já sob pressão, os investidores aguardavam o payroll de outubro dos EUA, que saiu acima do esperado: 165 mil vagas, contra 65 mil previstas, e desemprego de 4,1% (veja a cobertura do relatório). Antes do dado, os futuros do Dow Jones recuavam 0,77%, enquanto os do Nasdaq subiam 1,08%. O petróleo também cedia: WTI a US$ 90,06 e Brent a US$ 97,76 por barril, com a atenção voltada ao risco de nova escalada entre EUA e Irã. O bitcoin operava a US$ 75.507.

Análise

Quedas de 6% em um dia, com interrupção de negociação, mostram o que acontece quando o preço dos ativos se apoia em expectativas alimentadas por dinheiro barato. A teoria austríaca dos ciclos, de Mises e Hayek, afirma que juros artificialmente baixos induzem investimentos que só parecem rentáveis enquanto o crédito é abundante; quando o custo do dinheiro sobe, parte deles se revela mal alocada. O entusiasmo com a inteligência artificial não é, por si, o problema: o risco está em projetos financiados por crédito e não por poupança real.

Vale a ressalva de que a causa de um dia de pânico nunca é única, e as próprias fontes divergem sobre os motivos. O que se pode afirmar é que o investidor responde por suas decisões, e que a melhor proteção de qualquer economia é a de preços livres, que sinalizam riscos sem intermediação de planejadores.