O presidente e candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou, no debate presidencial da TV Globo realizado na sexta-feira (23), que o salário mínimo estaria em R$ 900 se não fosse a política de reajuste adotada nos governos do PT. A declaração foi dirigida ao adversário no segundo turno, o senador Flávio Bolsonaro (PL), segundo relato do Metrópoles.

O que Lula disse

Lula perguntou a Flávio se ele tem noção de quanto custaria o salário mínimo em São Paulo e no Sudeste sem a regra de valorização. "Seria R$ 900", disse, atribuindo o valor ao fato de, segundo ele, os governos anteriores não terem concedido aumentos acima da inflação. O presidente também afirmou que o PT foi quem "pensou em aumentar" trabalhadores da ativa, aposentados, pensionistas e beneficiários do BPC.

O número de R$ 900 é uma estimativa feita pelo candidato no debate. A reportagem consultada não informa o cálculo por trás dele, e este texto não o confirma de forma independente.

A resposta de Flávio Bolsonaro

Flávio respondeu que, se eleito, reajustará o salário mínimo acima da inflação, e o mesmo para as aposentadorias. Também disse que não vai privatizar Banco do Brasil, Caixa e Petrobras.

O que dizem os registros sobre a regra

Segundo o Metrópoles, a regra atual combina a reposição da inflação com ganho real, com um teto de crescimento fixado em lei federal. No governo de Jair Bolsonaro (PL), o piso foi corrigido essencialmente pela inflação medida pelo INPC, com pequeno ganho real no primeiro e no último ano, e a política de valorização atrelada ao PIB foi encerrada, de acordo com a mesma reportagem.

O salário mínimo é de R$ 1.621 em 2026. O projeto de lei orçamentária de 2027 enviado ao Congresso prevê R$ 1.741, alta de 7,4%. O valor definitivo só será fixado por decreto no fim do ano.

Análise

Esta seção é a leitura editorial do Tendência News, que adota uma linha liberal.

O debate sobre o salário mínimo costuma ser apresentado como uma escolha entre "dar" ou "não dar" aumento. Do ponto de vista liberal, a pergunta relevante é outra: quanto o piso nacional pressiona as contas públicas, já que ele indexa benefícios previdenciários e assistenciais, e qual o efeito sobre o emprego formal nas regiões mais pobres. Promessas de reajuste acima da inflação, de qualquer candidato, precisam vir acompanhadas de indicação de onde sairá o dinheiro. Um número lançado em debate, sem metodologia exposta, também merece a checagem que o eleitor tem direito de esperar de todos os lados.