A disputa em torno de Tifanny Abreu na Superliga Feminina 2026/27 gira em torno de uma regra, de uma liminar e de dois entendimentos sobre o que uma federação pode mudar no meio de uma carreira. Este texto reúne, com base nas reportagens publicadas, o que cada lado afirma. Não há julgamento de mérito definitivo até aqui.

A regra da CBV

Em agosto de 2026, a Confederação Brasileira de Vôlei (CBV) passou a seguir normas do Comitê Olímpico Internacional (COI), da Federação Internacional de Vôlei (FIVB) e da Confederação Sul-Americana (CSV). Com isso, a participação em torneios femininos ficou restrita a "atletas do sexo biológico feminino", segundo as reportagens. A entidade diz que busca atuar "em conformidade com as diretrizes técnicas do Movimento Olímpico". Na temporada passada, Tifanny foi a única atleta transgênero da Superliga Feminina.

O argumento da atleta e do clube

O advogado Luis Fernando Novaes afirma que Tifanny atua regularmente no vôlei brasileiro há cerca de cinco anos e que mudança de regra de elegibilidade não poderia retirar uma condição já exercida, o que ele descreve como direito adquirido. Na decisão liminar, o juiz Antonio Luiz da Fonseca Lucchese registrou que a CBV reconheceu por quase uma década a situação atual da atleta e que a exclusão "imediata e definitiva" seria mais gravosa do que mantê-la em quadra provisoriamente.

O argumento da CBV e do STJD

A CBV classificou a liminar como "excepcional e provisória", disse que recorreria e repudiou manifestações discriminatórias. Em 23 de outubro, segundo a Jovem Pan, o STJD manteve a decisão da entidade: para o tribunal, nem a regulamentação internacional, nem as temporadas anteriores da atleta, nem o contrato com o Osasco afastam a competência da CBV para atualizar critérios de elegibilidade.

Cronologia curta

  • Agosto: CBV publica a nova regra.
  • Antes de 16 de outubro: a inscrição de Tifanny fica pendente e um mandado de garantia no STJD é indeferido.
  • 16 de outubro: liminar do TJ-RJ, com multa de R$ 5 mil por jogo à CBV; Tifanny joga a Supercopa contra o Praia Clube e a Superliga começa em seguida.
  • 23 de outubro: STJD mantém a decisão da CBV; a liminar deve ser revogada pelo TJ-RJ, segundo a Jovem Pan.

Quem é a atleta

Tifanny tem 41 anos, é oposta e joga pelo Osasco desde 2021. Estreou na categoria em 2017, após liberação da FIVB, depois de concluir a transição de gênero. Soma um título da Superliga, quatro Campeonatos Paulistas, um vice-campeonato Sul-Americano e um terceiro lugar no Mundial de Clubes.

O que falta saber

As reportagens não trazem posicionamento do Osasco nem de Tifanny sobre a decisão mais recente, e a formalização da revogação da liminar ainda não foi confirmada nas fontes consultadas.