Strategy e Strive financiam parte das compras de bitcoin com ações preferenciais perpétuas, papéis que atraem investidores em busca de renda regular. O custo dessa fórmula, os dividendos, é o que complica o financiamento de novas compras, segundo reportagem da Cointribune de 25 de outubro.
Como funciona o modelo
As empresas emitem preferenciais que pagam dividendos periódicos e usam o dinheiro captado para comprar bitcoin. Quando o papel negocia abaixo do valor de face, emitir novas ações fica menos atrativo, e a companhia pode preferir recomprar as próprias ações. Emitir mais preferenciais pode aumentar o bitcoin por ação ordinária, mas também eleva as obrigações com dividendos e dificulta a gestão da reserva. Uma reserva em caixa funciona como margem de segurança para pagar dividendos sem cortar muito as compras.
Os números da Strategy
- O dividendo variável da preferencial STRC é de cerca de 12%.
- A STRC levantou US$ 7,5 bilhões de 2026 até o fim de julho.
- No último relatório semanal, a Strategy destinou US$ 193 milhões à recompra de ações STRC, contra a compra de 267 bitcoins, e elevou para US$ 3 bilhões a autorização de recompra de preferenciais.
- A STRC chegou a cair para cerca de US$ 70 no fim de junho e negocia perto de US$ 99,40.
- Segundo o texto, a Strategy já vendeu parte de seus bitcoins para pagar dividendos das preferenciais.
O que dizem os analistas
- Mark Palmer, da StoneX, afirma que as preferenciais perpétuas atraem investidores de renda que os ETFs não alcançaram.
- Ryan Rasmussen, da Bitwise, avalia que os ETFs seguirão como principal fonte de demanda de longo prazo, com as preferenciais como complemento, dependendo da capacidade de pagar dividendos e das condições de mercado.
- Alex Blume, da Two Prime, diz que o valor desses papéis depende da gestão, das obrigações financeiras e do mercado de capitais, não só do preço do bitcoin.
Para comparação, os ETFs de bitcoin à vista nos EUA acumulam cerca de US$ 57 bilhões em entradas líquidas e quase US$ 106 bilhões em ativos, segundo James Butterfill, da CoinShares.
Este texto é informativo e não é recomendação de investimento.
Análise
Esta seção é a leitura editorial do Tendência News, que adota uma linha liberal.
A engenharia financeira das preferenciais ensina algo simples: renda prometida tem de ser paga com receita ou com venda de ativo, e o bitcoin não gera caixa. É legítimo que empresas e investidores escolham essa aposta, e o livre mercado é o árbitro disso, inclusive quando a conta não fecha. O papel do regulador é exigir transparência plena sobre dividendos, reservas e vendas de bitcoin, para que o investidor saiba o que está comprando, e não blindar a estratégia contra o risco que ela mesma assume.