O Botafogo ganhou um assunto fora de campo logo depois da vitória por 1 a 0 sobre o Atlético-MG, pelo Campeonato Brasileiro, no Estádio Nilton Santos: a contratação do ex-árbitro Marcelo de Lima Henrique como assessor de arbitragem. Parte da torcida reagiu mal, e o ex-vice-presidente do clube Vinicius Assumpção criou um abaixo-assinado pedindo a saída dele. Segundo O Globo, a petição já passou de mil assinaturas.
Quem é o novo assessor e o que ele vai fazer
Marcelo de Lima Henrique se aposentou da arbitragem em setembro. Em entrevista ao jornal O Povo, publicada em 15 de setembro, ele fez um balanço da carreira, e o último jogo que apitou foi o Clássico-Rei entre Ceará e Fortaleza, pela Série B, que terminou empatado.
O cargo de assessor de arbitragem é novo no Botafogo. De acordo com O Globo e o Terra, as atribuições incluem:
- facilitar a comunicação entre a SAF e a CBF, inclusive nas devolutivas das reuniões semanais;
- preparar análises dos árbitros escalados para os jogos do clube, com critérios, rigor disciplinar e reação sob pressão;
- orientar jogadores e comissão técnica sobre regras e interpretações, em palestras periódicas;
- auxiliar o técnico Tite na abordagem de lances polêmicos nas entrevistas coletivas, segundo o Terra.
O Globo apurou que a criação da função já era discutida internamente havia tempo. Na avaliação da SAF, os 32 anos de experiência como árbitro profissional e a aposentadoria recente pesaram a favor do nome. O tempo de carreira aparece de outra forma no O Povo, que fala em 23 anos como árbitro do quadro da CBF.
Por que a torcida reclama: o "chororô" de 2008
A principal lembrança que pesa contra Marcelo é a final da Taça Guanabara de 2008, disputada em 24 de fevereiro no Maracanã. O Flamengo venceu por 2 a 1, de virada. O árbitro marcou pênalti a favor do Flamengo, por puxão do zagueiro Ferrero em Fábio Luciano, e o lance provocou protestos de jogadores, comissão técnica e dirigentes alvinegros. A reação ficou conhecida como "chororô", termo que a torcida rival passou a usar nos clássicos seguintes.
Em entrevista ao ge, no quadro Abre Aspas, o ex-árbitro disse não se arrepender da marcação: "Ainda bem que eu consegui ver esse penal", afirmou, segundo o Terra.
O abaixo-assinado
A petição de Vinicius Assumpção acusa Marcelo de ter sido "responsável por decisões controversas e prejudiciais, levando-nos, inclusive, à perda de títulos de maneira vergonhosa". O objetivo, segundo ele, é pressionar João Paulo Magalhães, presidente do clube social, a rever a contratação.
"Queremos apenas que o JP reveja esta decisão que tanto humilha a todos nós botafoguenses que sofremos com o apito na boca deste senhor", disse ele ao O Globo. Na mesma fala, Vinicius ironizou que "daqui a pouco vão contratar de assessora a bandeirinha Ana Paula", citando a auxiliar de uma semifinal da Copa do Brasil de 2007 contra o Figueirense. Ele também chamou a escolha de "tapa na cara da torcida", conforme o Fogaonet.
O número de assinaturas variou conforme o veículo e a hora: o Fogaonet registrou mais de 280 na manhã de sexta-feira (6), e O Globo, mais de mil no fim da tarde.
O que o Botafogo diz
A contratação não foi anunciada oficialmente pelo clube até onde as reportagens consultadas apuraram. O Botafogo não havia se manifestado publicamente sobre a petição. A justificativa conhecida vem de bastidores, relatada por O Globo: a experiência do ex-juiz e a necessidade de melhorar o diálogo com a arbitragem.
Marcelo apareceu no Nilton Santos com uniforme de funcionário na quarta-feira (4) e, depois do jogo, comemorou a estreia nas redes sociais: "Estreia com uma grande vitória e com o PÉ DIREITO como Assessor de Arbitragem pelo Botafogo. Com muita ética e respeito vou me doar ao máximo para colaborar com Excelência ao GIGANTE MUNDIAL BOTAFOGO".
O que vem a seguir
Não há prazo para uma resposta do clube nem sinal de que a contratação será revista. O caso deve voltar à pauta a cada decisão de arbitragem em jogos do Botafogo, agora com um ex-árbitro dentro do clube. Atualizaremos esta matéria se o Botafogo se pronunciar.



