A empresária Mila Seidl contou detalhes dos últimos dias de vida do marido, o piloto e youtuber Lito Sousa, que morreu em 1º de outubro, aos 59 anos, em decorrência de complicações da doença de Creutzfeldt-Jakob (DCJ). A entrevista foi ao podcast Inteligência Ltda., em 3 de novembro, e foi destacada pela CNN Brasil. Os relatos abaixo são da própria viúva; o Tendência News não tem acesso a laudo ou documento médico.
Este texto trata de morte e de decisões de fim de vida. A história anterior, sobre o desabafo de Mila um mês após a perda, está em Viúva de Lito Sousa desabafa um mês após a morte.
"Ele não morreu de CJD, ele morreu de pneumonia"
Segundo Mila, a causa imediata da morte foi pneumonia, em consequência do agravamento da doença. Ela explicou que, pelo que pesquisou, é comum que pacientes com DCJ morram por esse tipo de infecção. Mesmo com a recomendação de antibiótico, disse, Lito não teve melhora.
A informação ajuda a esclarecer o que vinha sendo divulgado desde a morte. Veículos como O Povo haviam registrado que ele morreu de complicações da DCJ, doença neurológica rara e degenerativa, sem cura, que provoca perda de movimentos e demência. O relato de Mila detalha qual foi a complicação final.
Os movimentos perdidos e a mente preservada
Mila disse acreditar que Lito manteve a cognição até o fim enquanto perdia o controle do corpo. "A DCJ aprisionou-o dentro do corpo", resumiu. Ela descreveu a progressão: primeiro deixou de mexer braço e perna, depois perdeu a sustentação do tronco e não conseguia mais ficar sentado; com o tempo, foram afetados o pescoço e a cabeça, e ele perdeu os movimentos de deglutição.
Esse quadro dialoga com relatos anteriores da família, que já havia dito que ele permanecia lúcido enquanto perdia movimentos. Em agosto, a esposa contou que Lito havia sido liberado para o tratamento em casa (home care) e que o casal estava em lista de espera de um estudo sobre a DCJ ligado à Universidade Harvard, segundo o jornal DGABC.
O testamento e a vontade de Lito
Um dos pontos centrais da entrevista foi a decisão sobre o tratamento. Lito deixou testamento e declarações de vontade e indicou o médico dele como responsável pelas decisões clínicas, e não a esposa. "Não fui eu, porque ele me conhecia, sabia que eu iria com ele até o fim", disse Mila, que afirmou estar disposta a cuidar do marido por "4, 5, 6, 10, 20 anos, na cadeira de rodas, fosse como for". Ela contou que estava mudando de casa e adaptando o novo espaço para recebê-lo com conforto.
Segundo ela, havia limites claros definidos por Lito: não queria ser intubado nem permanecer em estado vegetativo. A sonda de alimentação só seria aceita se fosse para aguardar um medicamento experimental e se houvesse chance de reverter o quadro. A sonda foi colocada quando ele estava prestes a receber a medicação.
Pneumonia, intubação e cuidados paliativos
Cerca de cinco dias antes da morte, foi diagnosticada a pneumonia. Se os antibióticos não funcionassem, seria necessária a intubação, que Lito havia recusado. Mila disse ter entendido que, nesse cenário, o quadro não teria reversão e ele seria mantido vivo artificialmente, talvez por mais um ano.
Sem melhora, o médico seguiu a vontade registrada por Lito, e o youtuber passou a receber cuidados paliativos até 1º de outubro. Mila classificou esse momento como o "mais difícil". Ela afirmou ainda que a família não poupou recursos: "Tudo foi feito para ele, 100%".
Os momentos finais
Mila contou que ficou ao lado do marido o tempo todo, mas não conseguiu permanecer nos últimos segundos. Como não queria que ele ficasse sozinho, pediu que Mauro, amigo de Lito e piloto, ficasse com ele e tocasse a playlist de músicas favoritas. Segundo ela, ele morreu ouvindo "Ordinary World", do Duran Duran.
Ela também relatou uma coincidência: horas depois, ao chegar em casa de madrugada, ouviu música alta vindo de um parque vazio, e era a mesma canção. A música sempre foi parte da identidade do canal.
Quem foi Lito Sousa
Natural do Rio Grande do Norte e criado em Santos (SP), Lito ficou conhecido pelo canal Aviões e Músicas, no YouTube, que passa de 4 milhões de inscritos e unia aviação e música. A morte foi confirmada por Mila em vídeo no Instagram dele, e a família divulgou nota. Ele deixou a esposa e um filho.
O que fica
Além do luto, o relato reacende uma discussão pouco comum no noticiário: a importância de registrar por escrito a vontade sobre tratamentos, as chamadas diretivas antecipadas de vontade, e de indicar quem decide quando o paciente já não consegue se expressar. No caso de Lito, segundo a viúva, foi o que orientou a equipe médica nos últimos dias.
Nota: a CNN Brasil informa que Mila tem 42 anos; reportagens anteriores citaram 41. A causa da morte e os detalhes do tratamento seguem baseados nas declarações dela.



