A UniCesumar, universidade privada de Maringá (PR), informou neste sábado (31) que concluiu uma sindicância interna e puniu estudantes de Medicina por mensagens com ofensas a colegas bolsistas e referências ao nazismo, trocadas em grupos de conversa depois do segundo turno da eleição presidencial. As sanções incluem expulsões, suspensões e advertências, definidas conforme a gravidade da conduta de cada envolvido, segundo a instituição.

O que foi revelado

De acordo com as reportagens de O Tempo e do Correio, as mensagens começaram a circular no domingo (25), após a divulgação do resultado da eleição que reelegeu Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Segundo a Aemed-PR, entidade estudantil que reuniu os relatos, havia ofensas a bolsistas do ProUni e a estudantes do Fies, com referências a condição socioeconômica e ao acesso ao ensino superior por bolsas. As reportagens também citam o compartilhamento de uma imagem de soldados da antiga Alemanha Oriental e de uma foto do exército nazista com a expressão "leite cru", associada a comunidades virtuais de defesa da supremacia branca. Segundo a Aemed-PR, houve ainda mensagens que defendiam violência sexual e roubo contra eleitores de um partido e uma mensagem racista. Em uma das conversas, uma estudante contestou as ofensas e lembrou que todos terminariam o curso com o mesmo registro profissional.

Posição da universidade e das entidades

Em nota, a UniCesumar disse repudiar "veementemente qualquer forma de discriminação ou preconceito" e que a decisão seguiu o regimento interno. A universidade não informou quantos alunos foram punidos, nem quais sanções couberam a cada um, nem os nomes dos envolvidos.

O Conselho Regional de Medicina do Paraná (CRM-PR) publicou nota de repúdio, afirmando que as condutas ferem os princípios fundamentais do Código de Ética do Estudante de Medicina, e disse que adotará as providências cabíveis em sua área e acompanhará o caso. Entidades do curso na UniCesumar também divulgaram repúdio e desligaram os envolvidos de seus quadros, e o Centro Acadêmico Miguel Nicolelis ofereceu apoio psicoterapêutico, gratuito ou a custo reduzido, aos estudantes afetados.

Investigações

A Aemed-PR informou ter registrado notícia-crime no Ministério Público do Paraná e enviado notificações extrajudiciais exigindo expulsão nos casos em que houver crime confirmado, e sanções proporcionais nos demais. Já o Correio informa que o Ministério Público Federal confirmou ter recebido uma denúncia e que apura o caso. As fontes divergem sobre qual órgão recebeu a representação, e nenhuma delas relata investigação policial. Nenhuma das reportagens traz manifestação dos estudantes punidos ou de suas defesas; eles não foram identificados, e a existência de punição administrativa não equivale a condenação criminal.

Caso semelhante no Paraná

Segundo a Aemed-PR, estudantes de Medicina do Centro Universitário FAG, em Cascavel (PR), também receberam mensagens parecidas. A FAG suspendeu três universitários e aplicou advertências, e os processos administrativos continuam em andamento. A Aemed-PR criticou a instituição por apenas suspender os envolvidos, afirmando que os fatos podem configurar crimes e não divergência política.