O guitarrista dos Titãs e escritor Tony Bellotto, 66 anos, deu uma entrevista à Folha de S.Paulo, publicada na quarta-feira (4), na qual fala sobre como convive com o câncer de pâncreas, diagnosticado em março de 2025. Ele disse que não tem medo da morte, nem antes nem depois do diagnóstico, e que a doença tornou mais intenso o modo como aproveita o dia a dia. A conversa foi feita por mensagens de áudio.
"Cada dia é mais especial"
Segundo a Folha, Bellotto afirma que a consciência de que vamos morrer acompanha todo ser humano e que, no caso dele, apenas ficou "mais concreta". Em vez de paralisá-lo, diz, isso o leva a viver com mais intensidade. "Cada dia que eu acordo é mais especial do que era antes do diagnóstico", afirmou.
Ele contou que o que o angustia não é a morte como conceito, mas o sofrimento que pode vir no fim e a dor que ela causaria a quem gosta dele. Por isso, diz, procura mostrar que está bem e pronto para encarar o que vier. Para resumir a postura, cita um verso do poeta Paulo Leminski: "Não discuto com o destino, o que pintar eu assino".
Música como remédio
Questionado sobre o papel da arte, o músico disse que, enquanto está no palco, a doença some da cabeça. "Sempre que subo no palco, naquela uma hora e meia, duas horas de show, o medo, qualquer coisa sobre a doença desaparece. A música é um remédio", declarou. Ele ressaltou que a ciência nunca o deixou "num vazio" e que a arte tem uma função complementar.
Conselho a quem recebe um diagnóstico
A quem acaba de saber que tem câncer, Bellotto aconselha calma e pragmatismo: "É preciso eliminar o drama". Ele também falou sobre estigma: disse achar que a doença deve perder o peso que carrega, como aconteceu com a tuberculose quando passou a ter tratamento, e contou que, quando é abordado na rua com olhar preocupado, responde: "Estou igual a você, estou vivo".
Na entrevista, ele mencionou ainda avanços no tratamento do câncer de pâncreas, citando o daraxonrasib, que, segundo ele, foi aprovado pela FDA, a agência reguladora dos Estados Unidos, e aguarda liberação da Anvisa. Questionado se usa o medicamento, a resposta que ele deu está na íntegra da entrevista, no site da Folha.
Aula magna para oncologistas
Na sexta-feira (6), Bellotto fará uma aula magna para cerca de 4 mil médicos no Congresso Brasileiro de Oncologia Clínica, promovido pela Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (Sboc) de quinta (5) a sábado (7), no Rio de Janeiro. O tema é a relação entre vida, ciência, arte e a dimensão humana do cuidado.
Relembre o caso
Os Titãs anunciaram o diagnóstico em 3 de março de 2025, em comunicado com um vídeo do próprio guitarrista, no qual ele falou em tumor no pâncreas e em cirurgia, disse estar "tranquilo e confiante" e pediu que os fãs não sofressem. Na época, afirmou que se afastaria temporariamente dos palcos, enquanto a banda manteria a agenda, com Alexandre de Orio no lugar dele. Em abril de 2025, o grupo informou que a cirurgia foi bem-sucedida e que ele começava a recuperação.
Bellotto também é escritor, autor de 11 livros, e venceu em 2025 o Prêmio Jabuti na categoria Romance Literário com "Vento em Setembro" (Companhia das Letras).
As informações sobre o estado de saúde acima são as que o próprio músico e a banda divulgaram. Não há boletim médico novo nem informação de terceiros sobre o tratamento atual.



