Uma sequência de temporais que atingiu Santa Catarina desde domingo (1º de novembro de 2026) teve seu ponto mais violento na quarta-feira (4), com três tornados confirmados pela Defesa Civil, uma microexplosão e rajadas de até 126 km/h em Chapecó, segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet). Meteorologistas ouvidos pela NSC Total apontam que o El Niño de intensidade muito forte, chamado popularmente de "super" El Niño, potencializou um fenômeno que já é comum no Oeste catarinense nesta época do ano.

Este texto é a continuação da nossa cobertura sobre o fenômeno, que explicou a diferença entre o El Niño Costeiro e o clássico e o recorde de +5,4°C no Pacífico junto ao Peru e ao Equador.

O que aconteceu na quarta-feira (4)

Segundo a Defesa Civil, foram confirmados três tornados: em Chapecó, por volta das 10h30, em Xanxerê, às 10h48, e em Rio Negrinho, às 13h30. No mesmo dia houve também uma microexplosão em Timbó Grande. Os fenômenos estiveram associados a uma linha de instabilidade que avançou do Extremo-Oeste para as demais regiões do estado, com tempestades e rajadas acima de 100 km/h.

Em Chapecó, a estrutura metálica da entrada do aeroporto foi arrancada pelo vento, vidraças quebraram, hangares foram atingidos e os voos ficaram suspensos até sexta-feira (6). Por volta do meio-dia de quarta, mais de 61 mil unidades consumidoras estavam sem energia no município, cerca de metade das 123 mil locais.

Houve duas mortes registradas nos temporais, segundo a reportagem da NSC Total: em Rio Negrinho, um jovem de 20 anos morreu quando a cobertura de um posto de combustíveis desabou; em Xanxerê, uma mulher de 46 anos morreu após choque elétrico provocado pelo rompimento de um cabo de alta tensão.

Balanço da Defesa Civil

O balanço atualizado pela Defesa Civil de Santa Catarina na sexta-feira (6), citado pela NSC Total, aponta que desde domingo (1º) 126 municípios registraram ocorrências ligadas aos temporais. O levantamento contabiliza 6.413 residências afetadas, 100 pessoas desabrigadas e 557 desalojadas. Ao todo, 62 municípios informaram decretos de situação de emergência e 29 pediram itens de assistência humanitária ao Estado. O horário exato do boletim não foi informado na reportagem, e os números podem mudar com novas atualizações.

O papel do El Niño

A Epagri/Ciram explica que a linha de instabilidade foi favorecida por um sistema convectivo de mesoescala, conjunto de tempestades organizadas numa estrutura maior que uma tempestade isolada, que pode persistir por horas. A meteorologista Gilsânia Cruz, da Epagri/Ciram, afirmou que o fenômeno é comum na primavera, principalmente em anos de El Niño.

Para o meteorologista Caio Guerra, da Defesa Civil, esta é a época em que mais ocorrem tempestades severas no Oeste do estado, o que é normal na climatologia da região. Em anos de El Niño, disse ele, aumentam a frequência e a intensidade dessas tempestades na primavera e no outono: "O El Niño está potencializando esse fenômeno". Ou seja, o El Niño não é descrito como causa única, e sim como um fator que amplia um risco que já existe.

Em outubro, o El Niño atingiu intensidade muito forte. Segundo o Inmet, a temperatura da superfície do mar na região Niño 3.4 ficou 2,47°C acima da média, o maior desvio já registrado para um mês de outubro. Na região Niño 3, de grande influência sobre a América do Sul, a anomalia chegou a 3,56°C.

O que esperar nas próximas semanas

O 247º Fórum Climático Catarinense, realizado em 28 de outubro, indica chuva acima da média entre novembro de 2026 e janeiro de 2027, principalmente no Oeste. Segundo Caio Guerra, novembro ainda é um mês crítico, um dos picos de precipitação do ano e de tempo severo, com risco de ventos fortes, granizo, chuva intensa, alagamentos e enxurradas. Em dezembro começa a transição para o verão, com temperaturas mais altas e temporais concentrados no fim da tarde.

Também segundo a Defesa Civil, a classificação de El Niño muito forte, por si só, não significa que Santa Catarina terá os maiores desastres ou os tornados mais intensos. Trata-se de uma tendência de probabilidade, não de uma garantia.

Para Florianópolis, a previsão do Open-Meteo compilada pelo Tendência News indica trovoada com 100% de probabilidade de precipitação neste sábado (7), com máxima de 27°C, e garoa com probabilidade entre 40% e 87% ao longo dos dias seguintes, até sexta-feira (13). Trata-se de previsão de modelo numérico para a capital, e a situação no Oeste pode ser diferente. Acompanhe os alertas do Inmet e da Defesa Civil.

Serviço

  • Em caso de vendaval, afaste-se de árvores, placas, coberturas metálicas e redes elétricas; nunca toque em fios caídos.
  • Evite áreas sujeitas a alagamento e encostas, e não atravesse ruas alagadas.
  • Defesa Civil: 199. Bombeiros: 193.
  • Para receber alertas por SMS, envie o CEP da sua residência para 40199.