O desabamento parcial de um complexo de moradias na Rua Benjamim Fraga, no bairro Nazaré, na Região Nordeste de Belo Horizonte, deixou 32 pessoas, de cerca de 11 famílias, fora de casa. Ninguém ficou ferido. Segundo reportagens da imprensa mineira, o imóvel já tinha sido alvo de 19 ações fiscais da prefeitura, com sete multas que somam R$ 65.646,08.

O que aconteceu

O imóvel é formado por barracões interligados, com três andares segundo o Corpo de Bombeiros. Parte do primeiro pavimento cedeu e materiais foram parar na calçada e na via, o que levou à interdição de trechos das ruas Angelina de Matos e Benjamim Fraga.

Os bombeiros foram acionados depois que um morador notou uma rachadura fora do normal e ouviu estalos na construção, num período de fortes chuvas na capital e na região metropolitana. O serralheiro Marcos Túlio de Jesus contou à TV Globo e à Rádio Itatiaia que viu a fissura aumentar, deixou a casa e avisou os vizinhos. Segundo ele, alguns não acreditaram no alerta, mas as pessoas que estavam no local saíram, e minutos depois a estrutura ruiu. O prédio abrigava cerca de 40 moradores.

As reportagens divergem sobre o horário: o G1 registra o desabamento por volta de 0h20 de sexta-feira (6), enquanto a Itatiaia o situa por volta das 19h30 de quinta-feira (5). Também divergem sobre o abrigo que recebeu os moradores: Hospedagem Social BH Além Paraíba (G1) e Abrigo Tia Branca (Itatiaia), ambos no bairro Bonfim.

Fiscalização anterior

De acordo com a Secretaria Municipal de Desenvolvimento Urbano, o imóvel somava 19 ações fiscais, incluindo 12 notificações e sete multas. Entre as irregularidades citadas estão obras sem acompanhamento de responsável técnico habilitado, ocupação de edificação residencial sem Certidão de Baixa de Construção e construção de marquise fora das normas. A fiscalização também apontou a falta de um laudo técnico sobre as condições de risco e estabilidade, com Anotação de Responsabilidade Técnica (ART).

Vistorias e risco para a vizinhança

A Defesa Civil de Belo Horizonte vistoriou 13 imóveis próximos. Dois foram totalmente isolados por colapso estrutural e 11 foram interditados preventivamente por risco de colapso. A Defesa Civil orientou a retirada preventiva dos moradores diante da possibilidade de novos desabamentos.

Responsabilidade e versão do proprietário

O proprietário foi notificado e orientado sobre os riscos e a necessidade de medidas de segurança e recuperação da área. Pelo Código de Edificações de Belo Horizonte, a manutenção e a segurança dos imóveis são responsabilidade dos donos, e a eventual demolição também cabe ao proprietário, segundo a Defesa Civil.

Azemir José da Silva, apontado como dono da construção, disse em entrevista que não imaginava que o imóvel pudesse cair. Segundo ele, a estrutura apresentava problemas ao longo da semana, mas ele estava "observando a situação". Já o morador Marcos Túlio afirmou à Itatiaia que o imóvel tinha problemas estruturais havia anos e que ele chegou a discutir o risco com o proprietário. A apuração sobre eventual responsabilidade não foi concluída até a publicação das reportagens consultadas.

Perdas dos moradores

Quem saiu a tempo deixou para trás grande parte dos pertences. Marcos Túlio contou que conseguiu salvar documentos e algumas coisas pessoais, mas perdeu ferramentas de trabalho, entre elas uma máquina de solda e uma lixadeira que era do pai, e deixou de trabalhar na sexta-feira por falta de uniforme.

O que vem a seguir

Os imóveis afetados permanecem interditados e os moradores seguem em abrigo da prefeitura. Cabe ao proprietário definir as intervenções, inclusive a demolição, sob as notificações da prefeitura e da Defesa Civil. Quem mora perto de áreas com rachaduras ou estalos em paredes pode acionar a Defesa Civil pelo telefone 199.