A pesquisadora Tatiana Sampaio, da UFRJ, e a Anvisa trocaram críticas públicas nesta semana sobre as regras do uso compassivo da polilaminina, substância experimental para lesões na medula espinhal.
O que Tatiana Sampaio disse
Em vídeo publicado nas redes sociais, a pesquisadora afirmou que as restrições definidas pela agência em abril criam uma "correria louca" para pacientes que precisam do tratamento com urgência e deixam poucas pessoas elegíveis, segundo o Metrópoles. Ela atribui parte das mudanças à pressão de cientistas, da imprensa e de influenciadores que questionaram a eficácia da substância.
Em outro vídeo, segundo o ND Mais, ela acusou a diretora da Anvisa, Daniela Marreco, de retirar dos pacientes o "direito de ter uma esperança" e de ocultar resultados das aplicações, e questionou a demora de três anos para autorizar o estudo clínico.
O que mudou nas regras
Antes, o uso compassivo estava disponível para lesões de até três meses. Pelas regras atuais, só podem pedir o uso pacientes com lesão de até três dias, entre as vértebras T2 e T10, na região torácica, de acordo com o Metrópoles.
A resposta da Anvisa
Em nota divulgada em 22 de outubro, a Anvisa rebateu a pesquisadora, disse que o vídeo propaga desinformação e condenou ataques pessoais a servidores e diretores. Entre os pontos da nota, segundo a Itatiaia:
- a análise do estudo levou três anos porque faltavam dados primários, e o mínimo necessário só foi recebido em janeiro de 2026;
- cerca de dez meses após a aprovação, a Cristália, empresa que desenvolve a substância com a pesquisadora, ainda não havia iniciado a fase 1 do estudo clínico;
- a própria Cristália reconheceu que o programa de uso compassivo não tem critérios rígidos de inclusão e exclusão nem evidência confiável de segurança e eficácia;
- um painel de especialistas, com representantes do Conselho Federal de Medicina, neurologistas e neurocirurgiões, desaconselhou por unanimidade ampliar o uso compassivo, citando as mortes, a via de administração e a segurança.
A agência também afirma que a indicação defendida por Tatiana Sampaio é diferente da apresentada pela Cristália e que não houve pedido para alterá-la.
Mortes e divergências nos números
A Cristália confirmou nove mortes entre pacientes tratados fora do estudo clínico desde fevereiro, mas diz que nenhuma foi ligada ao produto, segundo o Metrópoles. Os relatos divergem em detalhes: a Itatiaia traz nove mortes no texto e outro número no endereço da matéria, e a quantidade de aplicações citada pela Anvisa também aparece em outras reportagens (119 até abril).
O que ainda não se sabe
A polilaminina é experimental e sua eficácia não está comprovada. Não há, até agora, dados de segurança confiáveis divulgados, e o estudo clínico aprovado em janeiro ainda não começou, segundo a Anvisa.