O CEO da OpenAI, Sam Altman, disse em entrevista que é "bem ruim" (no original, "quite terrible") que a oferta limitada de memória DRAM do mundo esteja espalhada em computadores pessoais, onde, segundo ele, ela é usada apenas cerca de 5% do tempo. A fala, dada ao podcast Cheeky Pint, apresentado por John Collison, cofundador da Stripe, ganhou repercussão na imprensa de tecnologia no fim de outubro de 2026, num momento em que o preço da memória RAM disparou por causa da demanda da inteligência artificial.
O que Altman disse
A declaração surgiu numa conversa sobre inferência local, isto é, rodar modelos de IA no próprio computador do usuário, em vez de usar serviços na nuvem. Segundo o relato do Implicator, Altman defendeu "máxima utilização na nuvem" como o caminho num mercado de oferta restrita e afirmou que a limitação de silício é um interesse compartilhado. A estimativa dos 5% de uso é do próprio executivo, não um dado verificado de forma independente.
Ele também rejeitou a ideia, comum entre defensores de modelos abertos, de que a IA local reduziria a necessidade de data centers. Segundo o mesmo relato, Altman afirmou que a OpenAI está projetando um processador próprio, chamado Jalapeno.
O contexto: memória mais cara e escassa
De acordo com o Clubic, analistas estimam que o preço da RAM subiu entre 400% e 500% em um ano, entre 2025 e 2026, e a Apple teria elevado os preços dos iPhone 18 Pro por causa do custo dos componentes de memória. Segundo o Implicator, a Samsung prevê que a falta de RAM dure pelo menos até 2028, e a SK Hynix, até 2030. A Micron anunciou que deixará a produção de memória para o consumidor final.
O Implicator cita ainda que Samsung e SK Hynix têm contratos de longo prazo com operadoras de nuvem e com projetos como o Stargate, que reservam grande parte da produção mundial. Há relatos na imprensa de que a OpenAI teria acordos que somariam cerca de 40% da produção global de DRAM, número que circula em reportagens, mas que não foi confirmado por fonte oficial da empresa. O Gizmodo, citado pelo Implicator, estima em US$ 750 bilhões a expansão da infraestrutura da OpenAI até 2030 e associa esse gasto à alta de preços.
As críticas
Andrew E. Freedman, editor do Tom's Hardware, afirmou, segundo o Implicator, que Altman defende o modelo de negócio da OpenAI, baseado em modelos fechados rodando em data centers, já que a IA local poderia reduzir assinaturas. Freedman aponta duas premissas implícitas no argumento: que a expansão dos data centers não desacelere e que a RAM usada continuamente em IA vale mais do que a usada em tarefas comuns.
Leitores do Clubic também questionaram a lógica, lembrando que a memória de servidores e a de PCs disputam a mesma capacidade de fabricação. A reportagem de um dos veículos ressalta que a fala foca na eficiência de rodar IA localmente, e não é um pedido para que consumidores deixem de comprar RAM.
O que isso significa para o consumidor
Não há, nas fontes consultadas, anúncio de preço ou data para o Brasil. O efeito prático, segundo os analistas citados, é que notebooks, celulares e módulos de memória tendem a continuar caros enquanto a demanda por IA pressionar a produção. A OpenAI não detalhou, nas matérias consultadas, os contratos de memória que possui.



