O domingo 25 de outubro de 2026 é dia de votação do segundo turno, e as buscas por "quantas pessoas na Paulista hoje" refletem a disputa de ocupação da avenida nas últimas semanas. Nas fontes consultadas, não há registro de ato convocado para a Avenida Paulista neste domingo; os números que circulam são das manifestações dos dias 11, 18 e 24 de outubro. Abaixo, o que cada contagem diz e o que ficou sem número.
Os atos anteriores e o que se sabe de cada um
- 11 de outubro (Lula): a campanha petista afirmou que 1 milhão de apoiadores estiveram na Paulista. O Poder360 registrou 7 quarteirões ocupados e informou que a equipe de segurança do Planalto não autorizou o uso de drone por ele, de modo que não houve estimativa de densidade com imagens aéreas de alta resolução. O Gabinete de Segurança Institucional (GSI) impediu o Monitor do Debate Político e a ONG More in Common Brasil de contar o público.
- 18 de outubro (Flávio Bolsonaro, "Bloquinho 22"): o Monitor do Debate Político da USP, com a More in Common, estimou 71,9 mil pessoas no pico das 12h20, com margem de erro de 12% (de 63,3 mil a 80,5 mil), usando fotos de drone analisadas por inteligência artificial. O PL havia projetado 20 mil. O Poder360 contou 6 quarteirões ocupados e estimou cerca de 76,2 mil apoiadores; a reportagem lida não detalha o cálculo. Bolsonaristas ouvidos pelo Metrópoles avaliaram o público como "abaixo do esperado".
- 24 de outubro (Lula, encerramento de campanha): a caminhada estava prevista para as 16h, com concentração às 14h perto da Alameda Campinas e percurso até as ruas Bela Cintra e Haddock Lobo. O Monitor da USP informou que não divulgará estimativa de público dos atos de São Paulo e do Rio de Janeiro.
Por que não há número para o ato de sábado
Em nota ao Metrópoles, o Monitor e a More in Common explicaram que a autorização para drones valeu apenas das 13h30 às 14h40, enquanto o pico ocorreu entre 16h e 17h, quando Lula chegou e começou a percorrer a avenida. Segundo o grupo, "como não tivemos autorização para realizar o registro fotográfico no horário de pico da manifestação, decidimos não divulgar uma estimativa de público". Os pesquisadores afirmaram que um número parcial provavelmente subestimaria o tamanho real do ato e, por isonomia, também não divulgarão a estimativa do ato de Flávio Bolsonaro na Barra da Tijuca, no Rio.
O Metrópoles relata que a restrição aos drones foi atribuída ao lado da campanha de Lula, sem detalhar uma declaração da própria campanha. O GSI diz manter um "protocolo rigoroso contra drones não autorizados" e afirma ter neutralizado mais de 135 mil drones entre 2023 e o início de 2026. Os pesquisadores rebateram que imagens aéreas dos atos apareceram na imprensa e em perfis alinhados à campanha, e que negar acesso a uma equipe independente "deixa de ser uma questão técnica e passa a ser uma escolha".
Há ainda uma divergência sobre o formato do ato de sábado: Poder360 e Brasil de Fato descreveram uma caminhada, enquanto o ABC do ABC informou que Lula passaria pelo público em carro aberto. Não foi possível confirmar qual formato prevaleceu.
Por que os números divergem
Estimativas de público variam conforme o método: contagem por quarteirões ocupados, projeção de organizadores, informações da polícia ou análise de imagens aéreas. Só a última tem metodologia divulgada (drones e inteligência artificial, com margem de erro), e exige acesso aos locais nos horários de pico. Sem esse acesso, o que existe são afirmações de campanha, que tendem a ser maiores que as medições independentes.
Análise
Esta seção é a leitura editorial do Tendência News, que adota uma linha liberal.
O direito de reunião e de manifestação vale igualmente para as duas candidaturas, e a Paulista é, por tradição, espaço de ambos. O problema aqui é outro: a transparência. Quando um órgão de segurança do Estado ou uma equipe de campanha limita o acesso de pesquisadores independentes a um evento público, o debate perde um parâmetro verificável e o número passa a ser decidido por quem o divulga. O relato é de que isso ocorreu em mais de um ato do mesmo lado, mas o critério precisa valer para todos: a campanha de Flávio Bolsonaro projetou 20 mil, a medição independente achou mais de três vezes isso, e o ponto não é favorecer nenhum dos lados, e sim que a metodologia aberta e o acesso igual da imprensa e dos pesquisadores sirvam de regra para qualquer evento político. Tamanho de ato, de todo modo, não é voto: quem decide a eleição são as urnas, neste domingo.