O debate da TV Globo entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), na noite de sexta-feira (23), a dois dias do segundo turno, teve as afirmações dos candidatos verificadas em tempo real pelo Aos Fatos. A agência informa que as checagens podem ser atualizadas e que contestações enviadas pelas assessorias serão avaliadas. Abaixo, um resumo de parte do que foi publicado.

O que o Aos Fatos checou nas falas de Flávio Bolsonaro

  • Obras paradas: segundo o TCU, são 4.215 obras paralisadas, e não mais de 11.500, como disse o candidato.
  • Internet: números do Ministério das Comunicações indicam 21,3 mil pontos instalados até o fim de 2022.
  • Auxílio Brasil: chegou a R$ 600 só no fim do governo Jair Bolsonaro, ao contrário do que afirmou Flávio.
  • Bets: Lula não é o "pai do tigrinho"; as apostas esportivas foram liberadas em 2018, no governo Michel Temer.
  • Dívida: é verdade que a dívida bruta do governo chegou a R$ 11 trilhões neste ano.
  • Situação de rua: o número passou de cerca de 198,7 mil (dezembro de 2022) para 399 mil (setembro de 2026), confirmou a checagem.
  • Segurança: Flávio disse que os estados mais violentos são governados pelo PT; segundo a checagem, dos cinco no topo do ranking de violência, só Ceará e Bahia têm gestões petistas.
  • Ilha em Angra: é verdade que a disputa entre Willer Tomaz e o jogador Richarlison pela ilha já transitou em julgado; o último recurso foi rejeitado pelo STJ em 2025.
  • Casa da Mulher Brasileira: Flávio disse que vai criar o programa, que já existe desde 2015.
  • Argentina: o país foi governado por presidentes de esquerda por 16 anos e meio, não 20 consecutivos.
  • Pisa: é impreciso dizer apenas que a nota do Brasil é a pior; em matemática o resultado é o segundo pior da série, mas em ciências é o melhor já alcançado.

O que o Aos Fatos checou nas falas de Lula

  • Crescimento: é falso que a economia não tenha crescido acima de 3% após 2010; o PIB passou dessa marca em 2011, 2021 e 2022.
  • Fundo Amazônia: ficou congelado sob Bolsonaro, mas não procede que a retomada só veio com Lula, pois o STF ordenou a reativação ainda em 2022.
  • Caso Ana Clara: é verdade que Flávio integra a defesa do PM Bruno Dias Delaroli, acusado de matar a menina Ana Clara Gomes Machado, de 5 anos.
  • Obras da educação: é verdade que mais de 5.600 estavam paradas no início de 2023.
  • Agro e tecnologia: o Brasil alcançou 700 novos mercados para produtos agropecuários, e o governo de fato anunciou um supercomputador de IA no Rio Grande do Norte e dois computadores quânticos em João Pessoa.
  • Fome: 33,1 milhões de pessoas viviam em insegurança alimentar grave quando Lula voltou ao governo.
  • Milícias: a checagem confirmou que Flávio defendeu a atuação de milícias em discurso na Alerj.

Como ler as checagens

A lista acima é um recorte das verificações publicadas pelo Aos Fatos, que tem metodologia própria e pode revisar os itens. Quem quiser o detalhe de cada afirmação, com as fontes usadas, deve consultar a página original da agência.

Análise

Esta seção é a leitura editorial do Tendência News, que adota uma linha liberal.

Debates eleitorais tendem a transformar números públicos em munição, e as checagens mostram erros e exageros dos dois lados. Para o eleitor, a lição é que dados como dívida bruta, obras paradas e programas existentes estão disponíveis em fontes oficiais, e a transparência dessas bases é o que permite conferir o que se diz em campanha. Sobre a dívida de R$ 11 trilhões, cuja exatidão a checagem confirmou, o debate fiscal de fundo, sobre o ritmo de gastos e a previsibilidade das regras, merece mais espaço do que teve: seja qual for o vencedor no domingo, a trajetória da dívida será uma restrição concreta ao próximo governo.