A Agência Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) mantém, para este fim de semana, um alerta de tempestade geomagnética de nível G1 (fraco, na escala que vai de G1 a G5). O aviso mais recente do Centro de Previsão do Clima Espacial da NOAA (SWPC), emitido às 06h26 UTC (03h26 em Brasília) de sábado (7), prevê nível G1 para os dias 7, 8 e 9 de novembro de 2026. Apesar de o fenômeno ser chamado de "tempestade", ele não tem relação com chuva, raios ou ventos: é uma perturbação do campo magnético da Terra causada pelo Sol, e não há alerta meteorológico associado a ele no Brasil.

Este texto trata do fenômeno espacial. Para os avisos de chuva e vento do Inmet e da Defesa Civil, que usam a escala de cores amarelo, laranja e vermelho, veja a cobertura anterior do Tendência News: Defesa Civil e Inmet alertam para temporais no Sul, Sudeste e Centro-Oeste; SP tem alerta laranja.

O que a NOAA prevê

Segundo a previsão de três dias do SWPC, emitida às 12h30 UTC de 7 de novembro, o índice Kp, que mede a agitação do campo magnético, deve chegar a 5 (nível G1) em alguns períodos dos três dias. O pico previsto é Kp 5,00 entre 21h e 00h UTC de 8 de novembro. O órgão diz que há chance de atingir G2 (moderado) entre 7 e 9 de novembro.

A causa apontada é a influência de um fluxo de vento solar de alta velocidade vindo de um buraco coronal, uma região do Sol de onde o gás escapa com mais facilidade. A previsão não cita, para este período, uma ejeção de massa coronal (a explosão solar associada às tempestades mais fortes).

Pelos registros do SWPC, nas 24 horas anteriores à previsão o maior Kp observado foi 3, abaixo do patamar de tempestade. Houve ainda um aviso de Kp 4 emitido às 00h56 UTC de sábado e prorrogado até as 23h59 UTC, com efeitos concentrados em latitudes geomagnéticas acima de 65 graus.

O que significa G1

Na escala da NOAA, G1 é o nível mínimo de tempestade. Os impactos listados pelo órgão são:

  • pequenas flutuações em redes elétricas, em regiões de latitudes altas;
  • efeito leve na operação de satélites;
  • auroras visíveis em latitudes altas, como o norte dos Estados Unidos (por exemplo, o norte de Michigan e o Maine), além do Canadá e do Alasca.

A previsão também indica probabilidade de apagões de rádio de nível R1 a R2 (fracos a moderados) de 35% por dia, e de 10% para R3 ou mais, entre 7 e 9 de novembro. Esses apagões são causados por erupções solares, outro fenômeno, e afetam rádio de alta frequência. A probabilidade de tempestade de radiação solar de nível S1 ou maior é de 5% por dia.

E no Brasil?

O Brasil fica em baixas latitudes magnéticas, onde os efeitos de tempestades fracas costumam ser pouco perceptíveis. Os avisos da NOAA citam efeitos principalmente em latitudes altas, e nada indica, nessas previsões, auroras visíveis no território brasileiro. No país, o monitoramento do clima espacial é feito pelo programa Embrace, do INPE. O Tendência News não localizou, até a publicação, um boletim do INPE específico para este fim de semana.

Em tempestades mais fortes, o órgão e outros centros costumam alertar para possíveis interferências em sinais de GPS e em comunicações por satélite; para G1, o impacto esperado é pequeno. Quem usa serviços que dependem de posicionamento de alta precisão pode acompanhar os boletins oficiais.

Por que a notícia circulou como "alerta"

O assunto ganhou manchetes na imprensa brasileira na sexta-feira (6), como a do UOL, que noticiou a chegada de uma tempestade geomagnética à Terra no fim de semana, com base em alerta dos EUA. O Tendência News não conseguiu acessar essa reportagem e confirmou os dados diretamente nos produtos públicos da NOAA. Como a previsão se renova várias vezes ao dia, os níveis podem mudar.

Serviço

  • Acompanhe a previsão oficial no site do SWPC (swpc.noaa.gov) e no Embrace/INPE.
  • Para chuva, vento e outros riscos de tempo no Brasil, consulte os alertas do Inmet e da Defesa Civil. Em emergência: Defesa Civil 199 e Bombeiros 193. Para receber alertas por SMS, envie o CEP para 40199.