A Dragonfly, aeronave de rotores da Nasa projetada para explorar Titã, a maior lua de Saturno, completou uma simulação de voo e pouso em tempo real. A "viagem" ocorreu nas instalações do Laboratório de Física Aplicada (APL) da Universidade Johns Hopkins, em Maryland, nos Estados Unidos, e não no espaço. A agência considera o exercício o teste mais abrangente e complexo já feito para a missão, porque reuniu a maior parte dos sistemas e manobras que a nave deverá usar ao chegar a Titã, em 2034.
Como foi o teste
O software de voo e os aviônicos receberam dados simulados dos sensores que a Dragonfly levará, entre eles as câmeras de navegação, as unidades de medição inercial e um sistema lidar, usado para medir a altitude e a inclinação do terreno e identificar riscos. Na simulação, a aeronave voou sobre dunas de areia de Titã, examinou o terreno, escolheu um ponto seguro e pousou. Segundo a Nasa, o voo simulado é o mais desafiador porque exige todos os sensores do módulo de pouso.
Um marco construído por etapas
A equipe desenvolveu as capacidades de voo de forma gradual: começou com simulações simples, como o giro de um único rotor, passou por um curto voo de reposicionamento e por um voo parcial de reconhecimento, e foi acrescentando sensores a cada fase. Os próximos passos incluem um primeiro voo com o sistema real e testes deliberados de falhas, para checar a resposta da nave a problemas. A Lockheed Martin testa, por sua vez, o mecanismo que baixa a aeronave de sua posição recolhida para a descida de paraquedas.
O que a missão quer descobrir
O lançamento está previsto para 2028, com viagem de cerca de seis anos. Em Titã, a Dragonfly voará entre diferentes locais por cerca de três anos para estudar a química, a geologia e a atmosfera da lua, com o objetivo de entender as origens químicas da vida.